domingo, 29 de agosto de 2010

Só mais um pouco, homens grandes!

Não há nenhuma outra profissão no mundo (absolutamente nenhuma!) que mereça o respeito e admiração que, desde muita tenra idade, devoto aos mineiros/as. Talvez porque a mera idéia de trabalhar a centenas de metros de profundidade, me horroriza, pura e simplesmente!

São donos de uma robustez psicológica que não está ao alcance do comum dos mortais. Seres humanos que são capazes de controlar a densa sensação de claustrofobia, provocada por milhões de toneladas de rocha e terra, por sobre as suas cabeças, merecem tudo o que possa ser feito por eles!

É mais uma prova das prioridades do ser humano..."de superfície"! Conseguimos chegar a uma qualquer notícia desinteressante, no outro lado do mundo, em milésimos de segundo. Precisamos de 2 meses para resgatar umas dezenas de corajosas criaturas, ali...a umas centenas de metros!
Vem isto a propósito do que se está a passar com um punhado de homens numa mina chilena. Como poderia ser na Rússia ou na China.
Há 17 dias, bloqueados, a 700m de profundidade!...
E andamos nós preocupados com bloqueios políticos de superfície!

sábado, 28 de agosto de 2010

Mistérios.

Porque será que a postada sobre o Duarte Lima, deixada aí para baixo, tem suscitado um tão estranho como inusitado interesse, em certos IP's?
Afinal não passa de um texto meramente pessoal.
Bizarre!...

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Silêncios.

Hoje, por entre duas tarefas inadiáveis, resolvi espreitar o email pendurado neste blogue. Uma boa dúzia de estimáveis leitores que têm o discutível hábito de esportular alguns minutos do seu precioso tempo a ler os disparates aqui postados, manifestam exuberantemente a sua estranheza pelo meu silêncio!...
Se se derem ao trabalho de reler algumas das postadas que foram ficando para tràs, rápidamente se aperceberão de que não existe grande coisa para estranhar. Para além de ter matérias bem mais importantes com que ocupar o meu já escasso tempo, a mera circunstância de "abrir" a imprensa indígena conduz-me, inexorávelmente, a uma incapacitante sensação de vómito. E como não encontro - nem quero encontrar! - "retentor" suficientemente eficaz para a obviar, prefiro passar adiante!
Hoje, por exemplo e apenas por respeito a esses leitores, fui directo ao "i".
Mais valia ter ficado quieto!
Há muito que deixou de haver matéria comentável neste quintal ranhoso... e o que me sobra de vida, não está disponível para ser desperdiçado com bolçadelas de gente que, um qualquer desviante capricho da natureza, tornou bípede.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Quanto pior, melhor!

Vidas outras, têm-me mantido muito afastado destas coordenadas. Ao que me dizem, não tenho perdido grande coisa!
Ainda bem. Cheguei a recear que Portugal e os correspondentes nativos, tivessem ganho algum tino e que o país tivesse regressado a uma sonolenta normalidade.
Entornado o olhar para a imprensa de hoje, descansei!
A estupidez continua "skyrocketing". Saravah!

terça-feira, 17 de agosto de 2010

E estou, também, de óculos na ponta do nariz!...

A ser verdade, só lhes faltava mais esta!...

Saber esperar.

Estimabilíssimos "fregueses" instam-me, vigorosamente, a dizer qualquer coisa sobre a "realidade nacional"!
Digo já.
"Realidade nacional" é, para mim, o equivalente luso do inglês, "military intelligence"!
Mera contradição nos termos...

Desculpar-me-ão mas tenho uma incapacidade total - quiçá genética! - em comentar a estupidez.
Não sei e não quero saber como se enchem chouriços a granel. Se assim fosse, ter-me-ia transformado em jornalista, em blogger avençado ou em industrial de charcutaria, fazendo entrar porco de um lado e sair fiambre do outro.
Continuo a preferir o chouriço sazonal, enchido à mão e devidamente "apaladado" no competente fumeiro.
Questão de gostos, tão só!

domingo, 15 de agosto de 2010

A propósito de algibeiras.

Há uma singela pergunta que tem passado os últimos dias em curtos passeios, género io-io. Bate no occipital, reverbera no frontal, é devolvida pelo temporal e acaba estacionada no outro osso, cujo nome não recordo! Ou seja, eu próprio estou a constituir-me numa espécie de força de bloqueio.

Porque raio de cargas de água (ou de falta dela!), os incêndios estão - este ano - concentrados entre o noroeste do país e a Galiza?
Duas respostas, do domínio do politicamente correcto, são possíveis.
1. Em Espanha nada mais há para arder. Correctíssimo.
2. É uma zona que constitui a maior mancha verde da Europa. Certíssimo.

O facto é que qualquer das respostas, apenas faz avolumar a "nebulosa", por assim dizer! Como se já não bastasse o fumo, ele próprio!...
É que e exercitando um pouco a memória, recordo-me do que se passou na Grécia nos últimos dois ou três anos e... de como já "lhes" está no bolso! Este ano, como que por encanto, as ignições rumaram às "verdejâncias" galaico-portuguesas e...russas!

Curioso, para dizer o mínimo...e mais excitante se torna quando tentamos imaginar a dimensão do bolso!

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

A aula era de quê?

Um belo dia, algures pelos finais de '76, franqueei uma porta ali à Palma de Cima.
Tinha-me sido atribuído o nº1 do primeiro curso de direito que aquela casa ia ministrar. Olhei à minha volta e apenas via "miudagem" de 17 anos! Eu, um já maduro moçoilo quase a dobrar os 21!...
Desci ao pequeno bar, pedi um café ao Carlos gordo e rodei o olhar pelo horizonte possível. Onde estão os "velhos", perguntei-me em silêncio. A primeira abordagem foi um rotundo fracasso. Era um novo, já então com espírito de "velho"...imaginem hoje, em que meio país entende por bem levá-lo a sério!
Insisti. Nada. Continuava a ser "presenteado" com hordas de "miudagem", saída directamente dos liceus lisboetas.
Porra. Onde é que eu me vim meter?
Havia, no andar térreo, um anfiteatro, onde ia ter lugar a primeira aula de qualquer coisa. Sentei-me na última fila. Estava mais interessado em ver quem entrava.
Em dado momento, dou com três criaturas, sentadas a meu lado, mergulhadas no entre-escrutínio. Ao qual me juntei, escusado será dizer.
Não sei se foi o destino, se a boa ou má fortuna! Demos uns com os outros. Se calhar procuràvamos a mesma coisa.
Tentei a minha sorte. Eu sou o Amado...as reacções em diferentes timbres, deram como resultado, eu sou o Zé, eu sou o António e eu o Domingos. Respectivamente apelidados de Horta e Costa, Almeida Lima e Duarte Lima. Mais um minuto de vasculhanço mútuo e estavam encontradas algumas das "almas gémeas"! Todos tínhamos 20 anos. O Domingos faria 21, daí a dias. Leva-me três meses de avanço. Estás velho!...
Senti-me confortabilizado. Estava com os meus!
Foi o princípio de 6 anos de história(s).
O Domingos sabe que o Duarte Lima não me interessa. Disse-lhe isso mesmo, em diversas ocasiões. Especialmente desde que entendeu por bem, tornar-se corredor de fundo nas pistas políticas.
A minha solidariedade não vai para o Duarte Lima. Vai direitinha e toda para o Domingos.
Esse mesmo, o que eu conheci naquele já longínquo dia de '76 e que procurava a mesma coisa que eu.
As curvas desta vida já não permitem que o Zé (Horta e Costa) possa dizer presente! Ouso fazê-lo em nome dele. Porque tenho a certeza que, também ele, esteja lá onde estiver, está solidário contigo, hoje, aqui e agora.
Um forte abraço, Domingos.

Já nem o Viagra lhes deve valer!

O Portugal deles, glorificando-se na disfunção eréctil.
Deve ser a notícia do dia!...

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

As férias deles...

Parece que Aníbal António e mais um ajuntamento avulso de governantes desta charneca mal-cheirosa, optaram por fugir aos calores estivais e, todos por grosso à uma, decidiram reunir-se algures em Lisboa, no aconchego de uma sala "porsupuestamente" equipada com o competente ar condicionado!
Parece, igualmente, que o motivo se prende com os incêndios que vão consumindo a lusa alma...bem como a paciência!
Sou pouco fadado para diplomacias linguísticas.

Vão-se foder, todos!

PONHAM A MERDA DA TROPA FORA DOS QUARTEIS!
JUSTIFIQUE-SE O "PRÉ", AO QUAL ESTICAM A MISERÁVEL MÃO TODOS OS MESES!
E vocês, políticos, PROCUREM DAR ALGUM SENTIDO À VOSSA PRÓPRIA EXISTÊNCIA!
Se é que têm alguma!...
Bando de merdosos!

Dissolvências.



Surpreendente?
Nem por isso. Apenas um triste e atarantado país a ser corroído, lentamente, pelo ácido putrefacto que todos nós lhe lançàmos para cima!
Uns por acção outros por omissão.
Alguns por vocação...

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Vêm com tudo!...

Encerrado que está o dossier "Gripe A", por manifesta inabilidade dos fautores destas coisas - sim, também falham! - chegou a irritada hora de passar ao seguinte.
Como o embaraço foi grande, a "cave" só podia ser do tamanho do mundo!
Siga o poker...

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Dos "negócios" do fogo.

Sinto-me sempre como o meu particular amigo Homer, sempre que leio notícias deste calibre.
Só tem uma vantagem. Revi o sociólogo e ex-trauliteiro profissional que, misteriosamente, tem andado muito arredio! Ou sou eu que o ando. Em qualquer dos casos, há muito que o não via...

E que tal, por uma puta vez, deixarem de lado as discussões sobre o sexo dos anjos e passarem à acção? Já cada um de vocês assegurou a comissãozita ranhosa pelo que, não percam mais tempo!

Tirem a tropa dos quartéis, obriguem-nos a arregaçar as mangas e ponham-nos a produzir qualquer coisa de útil em prol de quem dizem "defender". Dos generais até à soldadesca!
Em qualquer lugar civilizado já estariam a apoiar os esforçados bombeiros que, por muito grande que seja a sua boa vontade, jamais conseguirão lutar sózinhos contra um dos mais antigos e bem estruturados negócios do mundo!

E não estou a falar de madeireiros!...esses vão apenas às raspas!
Até a Rússia que, até agora, andou - aparentemente! - fora desses circuitos, se juntou à dança.
A cupidez humana deixou, definitivamente, de conhecer limites.
Merecemos tudo o que nos possa acontecer.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Os deslumbrados.

Apesar dos pesares, ainda continuo a surpreender-me com a estupidez humana! Espreita-se a imprensa um pouco por todo o mundo e as únicas coisas que parecem interessar são...duas:

1. As colateralidades de alcova de Madame Obama e;
2. As aprazíveis férias de Madame Obama e correspondente prole, por paragens andaluzas.
Quanto a este assunto, vão bardamerda. É curto para me fazer desviar o olhar do essencial.

Como, por exemplo e para ficarmos apenas no destino de férias escolhido por Madame Obama, porque será que se tornou tão complicado obter uma miserável substituição de um DNI (Documento Nacional de Identidad), por caducidade do anterior documento?

Parece que agora só se consegue renovar o dito documento mediante marcação prévia - seja via internet, seja via chamada telefónica de valor acrescentado...e que valor!

Resultado, via internet torna-se um verdadeiro tormento, pelo que a maior parte dos mortais desiste e continua a sua vida com o respectivo documento caducado, sujeitos a todas as penalizações que daí advêm. Que, em Espanha, nada têm de macio!
Via telefone, é coisa que está para lá de qualquer cogitação. Pudera. €10,95 por chamada a que acresce o custo do documento, €10,10!

Assim se vai vivendo no circo zapateriano! O tal amigo do outro gajo que continua primeiro ministro no quintal do lado, presumo!
A única coisa animadora é que os faladores de castelhano têm o bom hábito de resolver os assuntos por outros meios. E de eficácia mais que garantida!
Já esteve mais longe...

sábado, 7 de agosto de 2010

Que Régio me desculpe mas...sei que fui por aí!


Um qualquer sábado chuvoso e de um frio agreste, era eu já dono de uns "robustos" dezoito anos, resolvi cair da cama e fazer algo pela minha sanidade mental. Dar um salto ao Flea Market, num sábado. Coisa impensável para quem vivia a 150m do local. Os sábados de Portobello são de fugir! É o lugar para onde se despeja o mundo. É um dos lugares onde não se deve estar!

Mas sabia o que queria. E seria rápido. Por entre as "paellas", os "sweats" estampados e os restos de equipamento militar da II Guerra, havia uns "gargalhos" que montavam bancas de paper backs em 65ª mão e atados em grupos de 6. O famoso, "50p the half-dozen"..."pick one"...

O primeiro livro era sempre o chamariz. E, nunca por nunca, deixavam espreitar os restantes. Tal como não vendiam mais de um lote por pessoa. Trouxe um desses "amontoados" que era capeado pelo "The Unnamable" de Beckett. Ainda hoje, sou o vaidoso proprietário dessa pérola inesquecível! Pelo meio, jazia uma qualquer edição do título que encima este escrevinhanço. Este, pelo contrário, perdeu-se por entre a bruma de alguma memória menos conseguida...

Lembro-me de o ter lido no fim de semana seguinte, em Mevagissey. Não vou repetir a história, porque já está por aí! Não o referi então mas o verdadeiro gatilho foi, justamente, a louca (será?) aventura de Kerouac. Menos de 300 páginas que foram devoradas em pouco mais de 24h. E parti, definitivamente, rumo à vida.

Quase 40 anos depois, sou confrontado, de novo, com o mesmo livro, cortesia de alguém que consegue a proeza de ser mais vadio do que pai e o avô, juntos! O meu próprio filho. Que não conhecia a "história" que estava por detràs daquele livro. Intuiu, tão só! Coisas que não se explicam e que só Nova Iorque consegue injectar...

Levei um mês a re-percorrê-lo. Ou melhor, a saborear cada palavra, cada situação, cada decisão, cada olhar, cada ilusão, cada desilusão, cada ida, cada vinda, cada pergunta, cada resposta. Enquanto o (re)lia, senti-me a passar demoradamente diante de um espelho que reflectia exactamente aquilo que eu queria que reflectisse. A vida vivida. Bem e/ou mal...mas intensamente vivida! Coisa que poucos ousaram fazer. E isso, já nenhum ser vivo me pode roubar.

"On the Road", foi escrito tal como poderia ter sido conversado. À lareira ou sob o luar, lavando as mágoas e o seu contrário, com um bom tinto! Um tinto capaz de empurrar as palavras. Aquelas que denunciam as vivências sem apuros literários. Sem disfarces. Tal qual o são. Duras, cruas e devidamente relativizadas. Que nos ensinaram...quantas vezes doendo!

JK, estejas tu onde estiveres, obrigado por teres feito parte do meu percurso. Melhor, por teres sido o gatilho desse percurso. Só por isso, prometo regressar a Portobello um destes sábados. Se calhar até vou gostar!...

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Cartas de Inglaterra.

Hoje, depois de encaixar os óculos na ponta do nariz, deu-me para reler algumas das missivas queirozianas. Não é que, a páginas tantas, fui incapaz de evitar uma gargalhada!
O bicho-homem não aprende!...mesmo!
Ora leiam.

"Os ingleses estão experimentando, no seu atribulado império da Índia,a verdade desse humorístico lugar comum do sec. XVIII: 'A História é uma velhota que se repete sem cessar'.

O Fado e a Providência, ou a Entidade qualquer que lá de cima dirigiu os episódios da campanha do Afeganistão em 1847, está fazendo simplesmente uma cópia servil, revelando assim uma imaginação exausta.


Em 1847 os ingleses, "por uma Razão de Estado, uma necessidade de fronteiras científicas, a segurança do império, uma barreira ao domínio russo da Ásia..." e outras coisas vagas que os políticos da Índia rosnam sombriamente, retorcendo os bigodes - invadem o Afeganistão, e aí vão aniquilando tribos seculares, desmantelando vilas, assolando searas e vinhas: apossam-se, por fim, da santa cidade de Cabul; sacodem do serralho um velho emir apavorado; colocam lá outro de raça mais submissa, que já trazem preparado nas bagagens, com escravas e tapetes; e, logo que os correspondentes dos jornais têm telegrafado a vitória, o exército, acampado à beira dos arroios e nos vergéis de Cabul, desaperta o correame, e fuma o cachimbo da paz... Assim é exactamente em 1880.


No nosso tempo, precisamente como em 1847, chefes enérgicos, Messias indígenas, vão percorrendo o território, e com os grandes nomes de "Pátria" e de "Religião", pregam a guerra santa: as tribos reunem-se, as famílias feudais correm com os seus troços de cavalaria, príncipes rivais juntam-se no ódio hereditário conra o estrangeiro, o "homem vermelho", e em pouco tempo é tudo um rebrilhar de fogos de acampamento nos altos das serranias, dominando os desfiladeiros que são o caminho, a estrada da Índia... E quando por ali aparecer, enfim, o grosso do exército inglês, à volta de Cabul, atravacado de artilharia, escoando-se espessamente, por entre as gargantas das serras, no leito seco das torrentes, com as suas longas caravanas de camelos, aquela massa bárbara rola-lhe em cima e aniquila-o.


Foi assim em 1847, é assim em 1880. Então os restos debandados do exército refugiam-se nalguma das cidades da fronteira, que ora é Ghasnat ora Kandahar: os afegãos correm, põem o cerco, cerco lento, cerco de vagares orientais: o general sitiado, que nessas guerras asiáticas pode sempre comunicar, telegrafa para o viso-rei da Índia, reclamando com furor "reforços, chá e açúcar"! (Isto é textual; foi o general Roberts que soltou há dias este grito de gulodice britânica; o inglês, sem chá, bate-se frouxamente). Então o governo da Índia, gastando milhões de libras, como quem gasta água, manda a toda a pressa fardos disformes de chá reparador, brancas colinas de açúcar, e dez ou quinze mil homens. De Inglaterra partem esses negros e monstruosos transportes de guerra, arcas de Noé a vapor, levando acampamentos, rebanhos de cavalos, parques de artilharia, toda uma invasão temerosa... Foi assim em 1847, assim é em 1880.


Esta hoste desembarca no Industão, junta-se a outras colunas de tropa índia, e é dirigida dia e noite sobre a fronteira em expressos a quarenta milhas por hora; daí começa uma marcha assoladora, com cinquenta mil camelos de bagagens, telégrafos, máquinas hidráulicas, e uma cavalgada eloquente de correspondentes de jornais. Uma manhã avista-se Kandahar ou Ghasnat;- e num momento, é aniquilado, disperso no pó da planície o pobre exército afegão com as suas cimitarras de melodrama e as suas veneráveis colubrinas do modelo das que outrora fizeram fogo em Diu. Ghasnat está livre! Kandahar está livre! Hurrah! Faz-se imediatamente disto uma canção patriótica; e a façanha é por toda a Inglaterra popularizada numa estampa, em que se vê o general libertador e o general sitiado apertando-se a mão com veemência, no primeiro plano, entre cavalos empinados e granadeiros belos como Apolos, que expiram em atitude nobre! Foi assim em 1847; há-de ser assim em 1880.


No entanto, em desfiladeiro e monte, milhares de homens que, ou defendiam a pátria ou morriam pela "fronteira científica", lá ficam, pasto de corvos - o que não é, no Afeganistão, uma respeitável imagem de retórica: aí, são os corvos que nas cidades fazem a limpeza das ruas, comendo as imundícies, e em campos de batalha purificam o ar, devorando os restos das derrotas.


E de tanto sangue, tanta agonia, tanto luto, que resta por fim? Uma canção patriótica, uma estampa idiota nas salas de jantar, mais tarde uma linha de prosa numa página de crónica...
Consoladora filosofia das guerras!


No entanto, a Inglaterra goza por algum tempo a "grande vitória do Afeganistão" - com a certeza de ter de recomeçar, daqui a dez anos ou quinze anos; porque nem pode conquistar e anexar um vasto reino, que é grande como a França, nem pode consentir, colados à sua ilharga, uns poucos de milhões de homens fanáticos, batalhadores e hostis. A "política" portanto é debilitá-los periodicamente, com uma invasão arruinadora. São as fortes necessidades dum grande império.


Antes possuir apenas um quintalejo, com uma vaca para o leite e dois pés de alface para as merendas de verão..."
("Cartas de Inglaterra")

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Espera aí que já te faço a folha!...


É o logotipo do bar de um hotel de Chicago mas, para o caso, tem pouco interesse! Parece ter sido concebido, antevendo já, esta beleza de hortaliça!
É escusado. A natureza humana, por qualquer razão misteriosa que a ciência ainda não conseguiu explicar, vem já - em certos casos - manifestamente, pré-formatada...
A bufaria ganha vida própria, quando alguém nos tira o focinho e as orelhas do côncavo da "gamela"!...
Lá, cá, em toda a parte e até na Moita!

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Histórias de faca e alguidar!...

Dois dias a 20 saudáveis graus e com um sol radioso, repuseram alguma normalidade no funcionamento das minhas meninges sobrantes.
Acresce que, não compreendendo a língua nativa e desviando ostensivamente o olhar de toda a imprensa dita "legível", tornei a coisa, se possível, ainda mais prazenteira!
Mas, toda a ida pressupõe uma vinda! Em desgraçada tese!...
Pelo que, qualquer regresso, se tranforma numa espécie de pesadelo anunciado.
Recusei lançar o olhar para as bancas dos jornais. Mas, uma rapaziada que gosta de andar informada (sobre o quê?), levantava, eu diria, quase propositadamente, os pasquins para que eu lesse - mesmo não o querendo! - as primeiras páginas.
Fiquei pois a saber que temos uma rainha de Inglaterra, no caso vertente, de calças!
Que temos um sindicato (um quê?), de rapaziada do ministério público.
Que temos uma espécie de ministério público. Seja lá isso o que fôr!
Que não temos justiça.
Que não temos ministro da justiça. Pelo menos, não constava da primeira página!
Apeteceu-me apanhar o mesmo avião. Para onde quer que ele fosse.
De repente, senti uma enorme necessidade de mergulhar a cabeça e o corpo em ambientes que não excedessem os 20º.
E onde não houvesse alarves que se chamam Pinto Monteiro e palhaçadas avulsas, como sejam sindicatos representativos de..."orgãos de soberania".
Onde houvesse uma imprensa que eu não conseguisse ler!