Desvanece-me até ao ponto da quase liquefacção, o espírito de patriótica abnegação, demonstrado pela rapaziada que, ora, se senta nas cadeiras do poder e arredores.
Obrigado pelo sacrifício mas dispenso-o, por completo.
Por todas as razões que vos ocorra invocar-me. E mais algumas que eu poderia acrescentar.
Noto também, bastos desconfortos à volta das posturas de Soares.
Eu, pela minha parte, noto - muito acima de tudo - que se limita a percorrer o seu caminho. Ainda não cheguei aos 90 anos, por isso tenho obrigação de ter alguma memória. Coisa que já não lhe compete.
77/78, lia-se pelas paredes de Lisboa e não só, "FMI fora de Portugal, já!".
O hoje muito glosado Medina Carreira, deve lembrar-se, presumo! Embora, a espaços, não pareça.
83/84, vira o disco e toca o mesmo.
Quem era o primeiro ministro, naqueles dois momentos?
Dou-me conta, do mesmo passo, que os alegres votantes, atiram já com o partido socialista para resultados eleitorais estratosféricos.
Fantástico. E é muito bem feito. Cada povinho tem o que merece. E acima de tudo, o que procura.
Alguém me perguntava, via email, "mas afinal...o que é que pretendes?"
Simples e clarinho.
Ponto 1. Limpar a paisagem política de toda a tralha humana que a entope. Toda. Por inqualificável incompetência.
Ponto 2. Não perder tempo a re-inventar a roda.
"Ouçam" quem sabia da poda:
"Não serão risonhos os tempos que se aproximam. Serão mesmo bem duros, ao menos até que se despertem os adormecidos e se encorajem os tíbios...
Sofremos de um mal antigo, senão crónico, por triste infelicidade: as discussões políticas.
Há dois remédios para esse mal.
Um primeiro caminho, consiste em aceitar a divisão entre portugueses como irremovível, alargando-a pelo facto de a reconhecer, conceder-lhe direitos, torná-la parte integrante da orgânica estatal. Assim se viveu durante muitos anos, a desperdiçar valores, a incendiar ódios, a enfraquecer os governos até à impotência, a amesquinhar a Nação até ao descrédito.
Mas há outro caminho.
Não empolar divergências ocasionais, pôr de lado dissídios ideológicos sem repercussão válida na vida colectiva, chamar à colaboração a máxima parte das vontades e das inteligências para serviço do interesse nacional. No fundo, de quantos receberam uma herança de oitocentos (e sessenta e nove) anos de vida independente, de ideais praticados, de tradições morais comuns, deveria ser possível encontrar, admitidas umas tantas excepções, o sentimento de fidelidade a meia dúzia de princípios incontroversos, de linhas de acção indiscutíveis no que respeita ao futuro e portanto ao governo da Nação Portuguesa.
Porque o povo, como povo, e sobretudo se está na raíz de uma velha Nação, tende para a unidade, apreende quase por instinto o interesse colectivo e só aspira a ser bem conduzido e governado".
Será necessário identificar o autor destas palavras, proferidas nos idos de 1957 e transparentes como água?
Bem me parecia.
É isso que eu quero. Tão só.