Não vi - pois há muito optei pela não intoxicação política e me habituei a pensar pela minha própria cabeça - mas um passarinho disse-me que o rapaz que alçaram a primeiro ministro, voltou a causar incontroláveis azias nos expectantes nativos.
"Porrada" na saúde, na segurança social e na educação.
Pudera!
Mas deixemos as minudências e olhemos as coisas de frente.
1929. A cupidez humana estoirou com a economia do planeta. Este transformou-se, como lhe competia, num campo de mortos de fome. Keynes ensaia a sua "Teoria Geral do emprego, do juro e da moeda". Estado em cima de estado, ao lado de estado e com estado por baixo!
Segue-se o entre duas guerras.
FDR atira com o New Deal para cima da mesa. Aí está o dito Keynes nos píncaros da glória. Secundado por um exército de teorizadores das ciências económicas, de entre os quais brilhou a grande altura, Myrdal, o sueco que se tornou o "pai" do welfare state escandinavo, e que se espalhou pela europa como as metástases de um cancro. De súbito, uma misteriosa corrente política que acode ao nome de social democracia, cavalga esta onda. Como não podia deixar de ser, ganha eleições por tudo quanto é sítio.
Natural, o estado está lá para nos sustentar todos os vícios e mais alguns!
A contribuição definitiva saía dos escombros da Europa de 45.
Esse mesmo estado foi ganhando ascendência sobre a iniciativa privada.
Supria tudo e mais alguma coisa.
O mundo dançava, despreocupado, ao som de Glenn Miller.
Até que, de uma esquina velhaca do tempo, surge 1973. O primeiro grande "choque petrolífero". O estado, não mais do que de repente, dá-se conta de que não consegue sustentar a falperra que, entretanto, criara raízes. Tudo começa a voltar à primeira forma. A, já de si rarefeita economia, por obsolescência industrial, começa a parar, greves, fome (só quem não viveu a Inglaterra desse tempo, pode estranhar!).
Pela mesma altura, entra na moda, o sr. Hayek, "filho" dilecto de Adam Smith. O mundo fica sem saber muito bem, o que fazer!
O Nobel da economia de 74 é dividido entre Hayek e Myrdal. O que diz bem da especiosidade de tal galardão!
À laia de , entendam-se e depois digam-nos alguma coisa.
Há trinta anos que vimos sendo avisados do que ia acontecer. A primeira pessoa a fazê-lo, sem enrolar a língua, foi Thatcher. Alegava que o estado não tinha condições para sustentar o welfare state. Se bem o pensou, melhor o fez. Acabaram-se os "direitos adquiridos".
Foi apenas o pontapé de saída. O resto é história.
Só nos últimos anos, os efeitos daquela "rebaldaria estatal", começaram a saltar aos olhos de toda a gente.
Chegou-se a uma esperança média de vida (dados da Pordata) na UE a 27, de 80 anos. Reformas aos 65. Não nascem meninos...quem paga tudo isso?
O estado? Com que receitas? Imprimindo moeda?
Não. Deixando a iniciativa privada andar para a frente.
Só ela gera emprego, só com emprego se pode "gastar", só quando se "gasta", o estado pode desempenhar as funções para as quais foi criado.
Fala-se por aí em golpes de estado constitucionais ou de outra qualquer índole, mais ou menos esconsa!
O único golpe de estado que houve, foi o mesmo estado a promovê-lo durante décadas, usurpando funções que, em circunstância nenhuma, lhe competem.
O resto é conversa para adormecer boi.
A única coisa que lamento é que a evolução das circunstâncias tenha apanhado, justamente nesta fase, na Europa, o mais completo e indizível baralho político de analfabetos funcionais, de que há memória.
Mas foram apenas as circunstâncias que propocionaram isso.
Não foram eles que proporcionaram as circunstâncias.