Procurava na minha biblioteca, algo de muito concreto e que sei que está por aí, quando pousei os olhos na lombada de uma obra que foi lida em tempos, já paleontológicos.
"The Picture of Dorian Gray", cortesia de Oscar Wilde.
Resgatei-o, por momentos, à estante.
Deixei escorregar algumas folhas pelo polegar e a memória pelo passado.
Bloqueou numa página, onde leio como segue:
"To cure the soul by means of the senses, and the senses by means of the soul. Yes, that was the secret. He had often tried it, and would try it again now. There were opium-dens, where one could buy oblivion, dens of horror where the memory of old sins could be destroyed by the madness of sins that were new."
Foi quanto bastou. Devolvi o livro ao seu lugar.
Cocei a cabeça e perguntei-me, porque não? Atirar com os velhos pecados para o lixo e substituí-los por outros pecados, mas novinhos em folha!
Afinal somos seres imperfeitos. Para quê querermo-nos livrar dos pecados?
Acho que até nos ficam lindamente.
Vai daí, lembrei-me da actual circunstância mundial e dos...bancos.
Imaginem só! Para o que me havia de dar. E logo numa segunda feira!
A falperra que grassa por aí, nada tem de novo.
Pelo contário, é pecado bem velho e todos sabemos quem está na respectiva origem. Proponho pois, uma refundação, renovação, reformulação - o que quiserem - do inevitável pecado.
Continuar a insistir na existência dos bancos. Mas em moldes diferentes.
Imprimir moeda para que eles se possam financiar, dado estarem quase todos nas lonas.
Simultâneamente, regulamentar cada passo, até à vírgula mais esconsa. Fazer exactamente o contrário do que fizeram Reagan e Thatcher. Estes diziam que, como não havia crises desde 1929, não havia necessidade de regulamentações. Esqueceram-se que essas mesmas regulamentações eram exactamente a causa da não existência das tais crises.
Ponto prévio: O IRC, seria trazido para o valor aplicável a qualquer empresa.
Isto não é ser de esquerda nem ser de direita. É mero senso comum.
Posto o que, teriam acesso a dinheiro, com duas garantias bem amarradas. 1) 80% desse financiamento seria para injectar na economia real - aquela que acrescenta, de facto, qualquer coisa. 2) os restantes 20%, serviriam para cobrir as suas próprias intendências. E que se governassem.
Se quiserem especular que o façam com o dinheiro deles próprios.
É hora dos banqueiros começarem a aprender como se gere uma empresa.
E um banco não é mais do que isso. Por muito que eles digam o contrário.
Claro que já estou a imaginar os suspeitos do costume a precipitarem-se para dentro do saco do dinheiro. Mas, mais devagar!
Pelo menos, metade daqueles 80%, seriam destinados a empresas que facturassem menos de 5M€. Única forma de reactivar, de uma vez por todas, o tecido económico. A não ser assim, continuaremos a ver saltar como cogumelos, estradas, obras de arte, condomínios fechados, aeroportos entre outras inutilidades do género. E a preços escabrosos.
Se, para isso, tiverem de meter um inspector na cama de cada administrador, pois que seja.
Fazem uma festa a três. Mas as regras têm de ser rigorosamente observadas.
A bem do emprego e da "varridela" da geometria - espirais, círculos e minudências correlativas.
Porra, o pior disto tudo, é que ainda não encontrei o que queria!