terça-feira, 20 de novembro de 2018

2600 anos depois.

Há décadas que o "Arte da Guerra" é o meu "livro" de cabeceira. E por uma quantidade de razões, das quais destaco duas. Por um lado, ajudou-me a evitar uma apreciável quantidade de "armadilhas" (as que consegui evitar!) que o sempre simpático ser humano, nos estende a cada passo do caminho. Por outro, foi com Sun-Tzu que aprendi o verdadeiro significado da palavra "deception", erradamente traduzida para português como engano (sendo mais correcto, por exemplo, logro ou até mesmo artimanha que, apesar de tudo, têm significados diversos). É, aliás, o grande pilar da seu "manual". "All warfare is based on deception" - Todos os assuntos relacionados com a guerra são baseados na artimanha. Se considerarmos que o mero facto de viver é uma "guerra", depressa concluímos que a coisa vai muito além do âmbito castrense. E, por isso mesmo, é de muita utilidade para o dia-a-dia de qualquer um de nós. Imagino já o franzir de sobrolhos que vai desse lado!...Este gajo quer o quê?  Vamos então a isso. Uma notícia de há dias, fez-me retornar ao texto em causa. E a outros, claro. A balsemânica figura lançou, por aí, um grupo de reflexão (chamemos-lhe assim) a que chamou Encontros de Cascais. Sendo quem é, e tendo integrado ajuntamentos pouco recomendáveis, durante décadas, será natural que, quem tem o mau hábito de ir mantendo um olho no burro e outro no cigano, levante as orelhas. Porquê ele e porquê agora? O que é que ainda sobra por cá, que valha a pena o esforço? Por outro lado, sabe-se que foi defenestrado e substituído por durão barroso. E não é necessário ser-se génio para se perceber porquê. Basta com pensar-se na agenda de contactos de um e do outro. E essa coisa não é conhecida por ser composta por "gajos porreiros" que aviam umas postas de pescada à volta de uma mesa. Não é para os "fainthearted", diriam os bifes. Se não, reparem. E darei apenas dois ou três exemplos (amplamente comprovados, pela simples razão de que não têm outra explicação) que ilustram bem o músculo que metem em todos os cometimentos. Anos 70: o chamado "choque petrolífero". Duas realidades coincidem no tempo. A ânsia americana de aumentar substancialmente as suas reservas petrolíferas e o desejo da Arábia Saudita de começar a sair das trevas medievais, especialmente em matéria militar, dado que, à época, tinham umas dúzias de espingardas e 2 aviões do tempo do Barão Vermelho. Olha que bonita conjunção astral! Planeada a coisa e após o visto bom de Nixon, é proposto uma acordo inegociável ao rei Faisal. Primeiro reduzes a produção até ao mínimo para que, para além de provocar uma subida dos preços, gere o pânico entre os terráqueos. Quem viveu essa época sabe bem do que falo. Depois, toma lá o armamento e dá cá o petróleo. Para princípio de conversa, 10 anos de reservas a custo zero (ainda hoje mantêm essa capacidade) seguida da entrada das empresas americanas no país. Um belo negócio, não acham? Anos 80: Aqui o assunto é mais elaborado. Objectivo, ir buscar as empresas públicas italianas. Todas elas de dimensão muitíssimo apreciável. Fazê-lo directamente e à vista de todos? Nem pensar. Vai daí, entra em cena o sr Soros e todos os seus muchachos, vendendo a descoberto comboios de liras para fazer baixar artificialmente o valor da moeda e estoirar com o Sistema Monetário Europeu que servia exactamente para manter a estabilidade das cotações. De caminho olhou também para Inglaterra e mandou uma valente nalgada na libra. Foi a morte daquele sistema. Dizem as más-línguas que terá embolsado 15000 milhões de dólares. Contrapartes italianas, o úbiquo Andreotti e, numa segunda fase, Craxi. Lembram-se da operação "Mãos Limpas", que  era suposto entalar toda a classe política italiana? Pois é. Esse foi o engodo que distraiu a populaça (via imprensa) durante anos, enquanto o verdadeiro objectivo ia sendo concretizado. Sun-Tzu em toda a sua glória. Uma escaramuça "aqui", distrair a soldadesca, e fazer acontecer o importante "ali". No entrementes todo o sector público industrial italiano passou para mãos privadas, o juíz que liderava aquele processo foi aviado à bomba (o juíz Falcone), Andreotti, porque jogava nos dois tabuleiros (era simultâneamente réu e integrante do menos conhecido "Conselho dos Doze" - que é quem efectivamente "dá as cartas"), e Craxi empurrado para a Tunísia onde morreu, vagamente teso. Resultado final, o governo italiano teve de "inventar" 100.000 milhões de dólares para reequilibrar a moeda e que ainda estão a ser pagos por...adivinhem por quem? Houve outros detalhes "curiosos" nesta operação. Um deles até envolve a rainha de Inglaterra que terá emprestado o Britannia, a bordo do qual foi gizado todo o assunto, a umas quantas milhas náuticas de Civitavecchia. Anos 90: o muito afamado salto da indústria agro-alimentar. O cartel do trigo de um lado (Continental Grain, Bunge, entre outras cujos nomes não recordo e que constituíam as Cinco Irmãs que, até há pouco nunca estiveram cotadas em bolsa porque não queriam estranhos a fazer perguntas atrevidas), e do outro, o dos pesticidas e dos ogm, Monsanto e quejandas. As sementes genéticamente modificadas, por si só, não têm nenhum inconveniente. Os problemas a nível de saúde são iguais aos provocados por toda a porcaria que hoje nos enfiam pela goela abaixo. São apenas preparadas para não poderem ser reutilizadas para a safra seguinte. Têm de comprá-las todos os anos, está bom de ver. Estoiraram com as plantações da América do Sul, do Médio Oriente, do Cáucaso e de África. Puseram meio mundo a passar fome, ficaram com as terras, porque os desgraçados não tinham condições de pagar as sementes, e encheram-nas com com os transgénicos. São milhares de milhões de hectares. Talvez assim fique clara a razão de tanta migração, actualmente. Claro que, pelo meio disto tudo, escorreu dinheiro aos borbotões, saído dos cofres do Banco Mundial, do Fed (nunca esqueçam que é uma entidade privada) e até do FMI. Ou pensavam que era o dinheiro deles a girar? Pensem outra vez. Paralelamente criaram uma espécie de Khmers verdes (Greenpeace) e outras miúdezas que surgiram à sombra desta. Mal parecia fazerem todas estas malfeitorias sem qualquer tipo de "contestação" (mais Sun-Tzu). Últimamente (já este ano), fecharam o círculo. A Bayer comprou a Monsanto. Industria farmacêutica+indústria de pesticidas. Será necessário fazer um boneco?
Volto ao início. O que quer a balsemânica figura desta sobra de país? 
Nunca ninguém disse que viver é fácil. E mais difícil se torna se nunca tiverem lido Sun-Tzu.
2600 anos depois, continua insuperável.

domingo, 11 de novembro de 2018

Domingo et al.


Escusado será dizer que hoje evitei qualquer contacto com a imprensa cá do sítio. Preciso de uma limpeza interior. Em contrapartida, fui direitinho à jornalada gaulêsa. Má decisão. Deu-me logo direito a um acosso de erisipela. A propósito do disparate macroniano de homenagear (e depois deixar de homenagear) Pétain, os escrevinhadores dedicam-se ao entre-insultos, com os "comentaristas de artigalhadas" à mistura, como não podia deixar de ser.
DeGaulle e Mitterrand também o reabilitaram e homenagearam, berram uns; que não senhor, respondem outros, várias oitavas acima do desejável. Um pagode completo. Vai daí, lembrei-me de um número do "Le Crapouillot", revista que surge no pós-primeira guerra (e que defunta pelos anos 90) que, durante décadas, se entreteve a escrutinar a "vidinha" da classe política, das maçonarias, dos serviços secretos, numa palavra, de tudo o que mexia. E como incomodava. Esse exemplar acima retratado, trata da "saúde" a esse ser repelente que acudia ao nome de Mitterrand. Um dos meus ódios europeus, de estimação. Uma figurinha que traiu tudo e todos com quem se cruzou. Fosse na vida política, fosse em qualquer outra vida. A admiração que nutria por Pétain, levou-o Vichy onde encontrou, como emprego, ser documentalista da Legião dos Combatentes e dos Voluntários da Revolução Nacional, uma espécie de partido único que se encarregava da propaganda "pétainista". Alegre colaborador da "France-Revue de L'État Nouveau", a vida corria-lhe de feição. Aliás, depois da sua morte e aquando da abertura dos seus arquivos, foi encontrada uma carta onde tecia rasgados elogios ao SOL (Service d'Ordre Légionnaire), um grupo paramilitar que foi criado, exclusivamente, para perseguir os inimigos do regime. Depois achou que, pelos elevados serviços prestados à causa, estava na hora de ser condecorado. E solicitou a "Francisque", agraciamento "Vichyiano" que era entregue a pedido e após preenchimento de formulário próprio e contendo declarações a preceito (ver no início). Já estava em Londres, sentado ao colo de DeGaulle (depois de ter traído Pétain) quando lhe foi deferida a solicitação. E não consta que a tenha, alguma vez, declinado. A única ocasião em que aceitou falar deste período, foi para uma revista onde debitou, (sem sequer esboçar um sorriso) que desconhecia em absoluto o que estava a acontecer aos judeus por toda a França. Escusado será dizer que esse cometimento lhe valeu todo o tipo de insultos durante meio ano. Tudo isto, revelado e comprovado, por uma revista que era tida como uma espécie de némesis da direita política. Imagine-se o que não se diria, desse-se o caso de pertencer ao outro lado do espectro. Se houve alguém que poderia (e deveria) ter reabilitado o herói de Verdun, foi aquele merdas, que a esquerda (e alguma direita) ditas correctas, acarinham, como se tivesse sido flor que se cheirasse.

segunda-feira, 8 de outubro de 2018

Fraseado solto.

Será muito saudável que a incompreensível (pelo menos para mim) "esquerda" planetária que foi acampando pela paisagem nos últimos anos, com o bornal a abarrotar de "conceitos" tão distantes do pulsar do ser humano como a terra está do centro da galáxia, se vá adaptando à idéia de que o seu existir caminha inexoravelmente para o fim. Nenhum ser, por vagamente pensante que seja, consegue aguentar por muito mais tempo este trilho cavado por cripto-humanóides plastificados, a soldo, e que ninguém entende. Não é um progresso. É uma tentativa de imposição de uma forma distorcida de animalidade (uma espécie de anestesia estupidificante) que até a etologia de Lorenz e von Frisch teria dificuldade em explicar.
O Brasil foi apenas o último exemplo. Que, e por aqui me ficarei, já elegeu o presidente. Para enorme desespero de "esquerdistas", comentadores e analistas avulsos que saem de todos os buracos imagináveis, todos eles com a boa solução para o eterno problema da quadratura do círculo.
O que se passa por lá, fica por lá. É inútil dar-lhes mais importância do que aquela que, na realidade têm.
Interessa-me o quadro geral. E nele, o que vejo? Vejo todo um mundo a querer libertar-se das garras sufocantes de uma "esquerda" politicamente correcta, seja lá o que for que isso queira dizer. Farto de aplaudir banalidades existênciais promovidas até à náusea com o exclusivo intuito de esboroar uma vivência em comum, coisa já de si e sem outras colateralidades, nada fácil. Quase me faz ter saudades da velha esquerda musculada, mas franca no combate. Todo o mundo sabia ao que ia. Este fenómeno de rejeição óbvia começado nos Estados Unidos transportou-se, para já, para países tão insuspeitos como a Áustria, alguns nórdicos, o leste-europeu, a Itália e todos os que se seguirão, e não serão poucos. Por uma razão muito simples de apreender. O ser humano é ele próprio e a sua circunstância. Acontece que a circunstância está a cair em desgraça porque ninguém suporta circunstâncias criadas por terceiros, especialmente por aqueles a quem não foi pedida opinião. Os casos português e espanhol, são disso paradigmáticos. Acabaram a dar voz a quem, fôra a circunstância normal, estariam a procurar emprego, caso houvesse alguém disponível para o proporcionar. Quanto às "direitas", o melhor mesmo é nem sequer tentar percorrer essa estrada. O que aparece de "novo", carrega em si as caras de um passado recente que toda a gente quer esquecer, e já. Estão tão impregnados da sua própria empáfia que nem essa triste singeleza conseguem captar. O que há de velho, não passa disso mesmo. Já nada tem para trazer para cima do coreto. Entreteve-se apenas a envelhecer. Próprio de gerações a quem nada faltou. Eu incluído.
Onde estão os que vêm atrás de nós? Porque se o futuro que se apresenta a escrutínio é o que passa pelas jotinhas partidárias, estamos conversados.
Não haverá sequer futuro.

segunda-feira, 1 de outubro de 2018

Parabéns tão públicos quanto possível.

10h30 da manhã, instalo-me com um dos livros de turno (o último Salman Rushdie, a resvalar bocejantemente para o medíocre) na esplanada das minhas leituras. Ainda vazia do horroroso turistame que se diverte a achar as vistas "beyond belief", enquanto lança guinchinhos tão incompreensíveis quanto incomodativos, para o éter. Pedido o café, mergulho de novo na história de Nero Golden. Não tinham passado 10 minutos e uma voz feminina aproxima-se da minha orelha e sussurra-me: cá está o senhor com uma das suas milhares de amantes! A voz soou-me familiar, confesso. Terei levado alguns segundos a virar os olhos para a origem daquela blasfémia. Visão que me fez rasgar um sorriso como há muito não acontecia. Era a P., uma simpaticíssima brasileira que trabalhou naquele lugar e que deixei de ver de há uma boa dezena de anos a esta parte. Fazia-se acompanhar pelo marido, cidadão francês de boa cêpa e catedrático no Instituto de Estudos Políticos de Estrasburgo. Convidados a juntarem-se-me, abriu hostilidades com uma frase que me soou a quase-acusação: finalmente, quis o destino que conhecesse o homem de quem a P. tanto falava e fala, desde que a conheço! Lancei um olhar meio confuso, sem alvo definido. As sonoras gargalhadas que soltaram, cruzavam-se com o meu sorriso, a pender desconfortavelmente para o amarelo. Aí entra a P. que, num repente, me remove da minha miséria e me esclarece. De tal forma o fez que conseguiu comover-me. A história conta-se em duas palavras. Há uma boa dúzia de anos, deu-me para reler a biografia de Salazar pela pena de Franco Nogueira. Claro que algumas daquelas gloriosas manhãs de leitura foram passadas naquela esplanada. Já lhe tinha percebido a curiosidade. Um belo dia, passada a vergonha, arrisca a abordagem. Gostava de conhecer a vida e a obra desse homem de quem tanto ouvi falar no Brasil, e de quem continuo a ouvir falar...
Pressenti o que se iria seguir!
Para mim, emprestar livros é assim como alguém propor-se arrancar-me as unhas sem anestesia. Mas aquele sorriso desarmou-me. E resolvi arriscar, também. Ao longo de um período de 4 ou 5 meses, fui-lhe passando os seis volumes. Nunca falhou uma devolução. Quando me entrega o último tomo, tem um desabafo que nunca mais esqueci. Tomara o Brasil ter tido, ao longo da sua história, um homem como este. Eu não estaria aqui e o meu país não estaria onde está. Para mim, ficou feita a resenha de um período político em Portugal. Em busca de melhor vida, as curvas da estrada levaram-na a Estrasburgo. Dois anos depois tenta uma primeira vez entrar no Instituto referido acima, coisa que, reconhecidamente, não é fácil. Nem mesmo para nativos. Entrou à segunda tentativa. O terceiro ano do curso foi feito em Georgetown (onde aturou umas aulas ministradas por Durão Barroso) a expensas da própria universidade. Mais dois anos e obteve o Master em Sciences Po. Resultado: foi onde conheceu o marido (seu professor) e onde prepara uma tese de doutoramento sobre...adivinhem. Já estou a salivar pela leitura. Conta defendê-la em 2020. 
Percebem agora o meu comover-me? Um pequeno risco da minha parte que desencadeou um caminhar glorioso para alguém. 
Momentos que valem por uma vida. Há sempre uma luz no meio da escuridão geral.

sexta-feira, 28 de setembro de 2018

As pústulas purulentas.

Parece que decorre a esta hora, em várias tv's (dizem-me) e, seguramente, dentro das redacções da jornalada (perante dúzias de "profissionais" a espumar pela boca), o sorteio de um juíz de instrução para dar continuidade ao processo que envolve o energúmeno que pastoreou este lugar esquecível. 
Assim, a modos de sorteio de jogo social. 
O defeito é seguramente meu. 
Mas tendo a achar que a miséria moral que campeia por aí, ainda não conheceu o limite. Nem vai conhecer.
O espírito de choldra que se agarrou à repelente pele desta gentinha, começa a revestir a forma de insulto a qualquer bípede. Votante ou não. Quando julgamos que o fundo está atingido (estou a lembrar-me da intervenção do presidente desta triste república, ontem, a propósito de Cavaco), somos surpreendidos por um novo alçapão. Espreita-se, e os miasmas (multiplicados até ao infinito) olham-nos com o desdém que lhes compete.
Já nem nojo sobra. 
Apenas vergonha de carregar no bolso uma identificação emitida por este verdadeiro aterro sanitário.
Quanto à justiça, estamos, também, a ficar completamente conversados. Apenas se pode queixar de si própria. Tudo aquilo que, eventualmente, vier a alegar em sua defesa, apenas suscitará gargalhada. E pena.
Muita pena.

quarta-feira, 26 de setembro de 2018

A memória, essa puta!

Tancos, Tancos, Tancos.
Nunca a simpática localidade imaginou voltar a ter tanto protagonismo, agora neste miserável portugalzinho. Porque quando ainda integrava um País que se chamava Portugal, já tinha sido colocada no mapa, por via de umas diatribes perpetradas pelo matusalémico Mortágua, pelo defuntado Palma Inácio, pela Isabel do Carmo e pelo Carlos Antunes, quando resolveram que uns quantos aviões deveriam ir pelos ares sem sair do chão. Mas isso, terá sido esquecido numa qualquer gaveta, de um qualquer "psychê" perdido nas catacumbas do ministério da defesa. A coisa a que chamam democracia, tudo branqueia. Até meras existências.
Regressa à ribalta, por via de uma aldrabada avulsa (mais uma), trazida a terreiro por um verdadeiro anacronismo erecuctado pelos entrefolhos do conselho da revolução, como não! A polícia judiciária militar. 
Como se já não bastasse um organismo tendencialmente incompetente, a PJ (que só sabe funcionar a partir de denúncias anónimas, tão ao gosto do tuga ranhoso, e de extorsão de confissões. Prevenção é um conceito que sempre lhes foi estranho), os militares ainda lhe juntaram outro. 
Mas havia coisas que já vinham de trás e que era mister protejer "à outrance", caso do Fundo de Defesa Militar do Ultramar, lançado por Marcello Caetano, com o objectivo de atirar com dinheiro para cima de intendências militares que, manifestamente, não sabia como resolver e cujo resultado foi o que se viu, no vinte e cinco barra quatro. De caminho foi deixando vítimas, quer directas, quer colaterais, respectivamente Amaro da Costa e Sá Carneiro. Por esta ordem. Recordo ainda uma outra diatribe que envolveu o entretanto extinto ADME (Assistência na Doença dos Militares do Exército), de onde foram desaparecendo, paulatinamente, centenas de milhares de euros, que se dirigiram, à velocidade da luz, aos fundos bolsos de uns quantos militares delinquentes que, pelo facto de envergarem um uniforme, se julgam saídos da coxa de Vénus. Esta foi mais uma brincadeira que passou pelas mãos da redundante polícia a quem foram entregues as denúncias escritas e as gravações com câmaras ocultas mas que, de quentes que eram, foram repassadas ao generalato de então que mandou arquivar, não sem antes despedir uma quantidade apreciável de patentes intermédias. E tudo isto se passa não há tanto tempo assim, talvez uma dúzia de anos. É pois de bom tom, não perder de vista estas memórias. 
Duas conclusões: 1) Não vale a pena perder muito tempo com esta historieta do desaparecimento/reaparecimento das armas. Nem se torna necessário agregar-lhe mais uma inutilidade funcional ao estilo de uma CPI. Basta com apurar qual seria o objectivo final e, 2) Tendo em vista o total colapso do edifício hierárquico militar, todos eles, do tarata ao comandante-chefe, passando pelo moço que está ministro e pelo indiano na diáspora, têm óbvias conclusões a retirar.
Se o não fizerem tornam-se todos, definitivamente, farinha do mesmo saco. 

segunda-feira, 24 de setembro de 2018

(O)nanismos.

A foto que ponho ao dispor de vexas, foi-me feita chegar ontem, por amigo velho, ex-político há muito desiludido com o pulsar cripto-democrático que se vai vivendo neste lugar mal frequentado. E sabe que aprecio especialmente este tipo de tesourinho inútil. Foi convenientemente "cropada" (a foto, não o amigo) dado que as figuras sobrantes não interessam nada para o caso. Nem sei quem são.
Deduzo que, à época já devia ser gajo importante, lá, no aconchego do sofá (piroso) partidário. Governamental, quiçá.
Alguém me consegue explicar como se leva um gajo destes a sério? Tacão alto, pé-de-gesso, calcita saída directamente da Rua dos Fanqueiros (aquela que tinha os manequins mais pequenos e de cujo nome me esqueço) e fico por aqui porque acabaria a dizer que a gravata é igual a algumas que já tinha visto à venda na feira de Carcavelos.
No caso particular dos tacões, continua em cima deles, agora colocados por dentro (a la Sarkozy). Os sapateiros também evoluiram, que diabo!
Não sei quantas décadas terá a chapa.
Sei apenas que continuam a achá-lo imprescindível. 
Coisa que diz mais do país em si, do que do rapazinho, ele próprio.

sábado, 22 de setembro de 2018

E a cartucheira a ficar sem munições.

Ontem, cedinho (19h30) como convém às respectivas artroses, jantar de 5 velhos amigos, que rápidamente se transfigurou em assentadura geral de 5 amigos velhos. 
Tasca igualmente velha, tal como as panelas que, como sabem, é onde se fazem as boas sopas. Detalhe que nunca é de somenos. 
A circunstância de haver pouca gente também se tornaria particularmente agradável. Assim conseguiríamos entre-ouvir-nos, sem repetições, sempre embaraçosas, porque desmobilizadoras de conversas escorreitas. Acima de tudo queríamos fugir aos lugares "trendy", estranhos e salteadores de bolsos que por aí explodem, numa base diária, como cogumelos. E que, felizmente, nenhum de nós conhece. E não tem a menor intenção de vir a conhecer.
Duas combinações prévias, tomaram a cabeceira da mesa. 
Por um lado, desligar telefones (surpreendentemente, ou não, apenas eu ostentei, quase corado, smartphone - o que me valeu olhar reprovativo, se calhar com razão, dos restantes comensais) e, por outro, proibição absoluta de desperdiçar palavreado em assuntos políticos. O primeiro a fazê-lo, entraria no bizarro mundo do pagador oficial da totalidade do ágape. 
Estou lixado (cogitei, com os meus botões!). 
Estabelecidas as regras, declarámos abertas as hostilidades.
Em comum, os factos de nenhum de nós ter progenitura viva, sermos todos avôs, e mantermos há mais de trinta anos uma amizade (daquelas que já caíram em completo desuso), sólidamente à prova de bala. Em (in)comum, a circunstância de um deles continuar casado com a mesma mulher há bem mais de 150 anos (minha querida R. como é que tu ainda tens pachorra para aturar o bacamarte do teu consorte?) e de outro, ser viúvo. Os restantes, há muito entraram em derrapagem descontrolada, nessas matérias específicas.
Ninguém é perfeito.
Entrámos numa espécie de limbo que nos anestesiou. Tudo, mesmo tudo (excluída a política, está bom de ver, ficaria caríssima), esvoaçou em nosso derredor. Esse tudo, foi sendo temperado com sorrisos, risos, gargalhadas, lágrimas furtivas, até. O excelente cabritinho no forno e a meia-dúzia de Papa Figos, deram uma inestimável ajuda.
O toque de recolher soou às 11 da noite. A idadezinha não perdoa. Fizemos 500 metros a pé. Há, por ali, dois ou três daqueles restaurantes referidos acima. As filas acumulavam-se à porta, à quase-hora da ceia. 
Olhei aquelas caras que faziam transparecer tudo, menos o prazer de uma verdadeira e reconfortante amizade. Concluí em voz alta (talvez uma oitava acima do devido) algo que, pela segunda vez durante a noite me valeu olhares furibundos, desta vez com origem nos "fileiros".
- Fuck them. Estão aqui apenas para fazer trade-off de existências nulas.
Os meus, aquiesceram, em silêncio mais que cúmplice.
Solidário, mesmo.

quinta-feira, 20 de setembro de 2018

Luz e sombras.

Esta coisa tem sede em Barcelona. 
Comanda todos os sindicatos de estivadores, existentes e por existir. 
Tivera uma direcção esclarecida, livre, independente, capaz de pensar pela sua própria cabeça, e seriam os únicos (repito, os únicos) capazes de pôr o planeta de joelhos. Por razões óbvias e que me dispenso de elaborar. Lamentavelmente, quem está de joelhos são eles. Num ombro carregam os políticos de turno, no outro, os armadores. E cada um dos "carregadores" com um pornográfico saco de dinheiro às costas.
Leio por aí que os estivadores nativos estão em greve. Que será inconsequente como todas as outras que já levaram a efeito. 
Por manifesta falta de pachorra e para não me repetir, recupero um escrito que deixei por aí, faz agora 6 anos.
"Era tão fácil.
Bastava esta rapaziada entender-se.
Apertar a tenaz, de Sines a Hamburgo, de um lado. Portos mediterrânicos, do outro.
E por tempo indeterminado.
Toda a repelente classe política europeia estaria posta em sentido, em menos tempo do que aquele que levaríamos a esfregar um olho.
A greve é um direito constitucionalmente consagrado? Infelizmente, é.
Não correndo o risco de actuarem à margem da lei, interiorizem um conceito básico.
Quem tem o poder, usa-o.
Se o não fizerem, não fiquem espantados de ver terceiros usá-lo, contra vocês próprios.
Recusem-se a deitar as mãos à obra. Todos, em todo o continente.
E talvez, apenas talvez, a Europa renasça."
Meia dúzia de anos depois, o sonho já estilhaçou.
E os responsáveis do IDC, estão seis anos mais ricos.
Porca miséria!

terça-feira, 18 de setembro de 2018

O Pio XII, algures, numa dobra do tempo.

Franco Nogueira fará 100 anos nos próximos dias. Escrevo fará (e não faria), apenas porque sim. E porque não me apetece que homens como este, se finem. Tenho lido por aí disparates em torrente que não encaixam, de todo, no homem que conheci, de uma forma "quase provocadora" (porque deliberada) e com quem conversei longamente, quantas vezes a sós ou, em alternativa, muitíssimo bem acompanhado. Não é verdade, José Luís Seixas? 
Durante todo o tempo de estudos universitários, alojei o esqueleto num colégio universitário, ali, à 28 de Maio. Pouco ou nada tinha de "lar estudantil", e muito de delicioso "antro" conspirativo. Dirigia-o ainda, o seu fundador, Joaquim António de Aguiar (o conspirador-mor), dito de padre. Embora, de padre, tivesse tanto como eu. FN era um dos habituais frequentadores da casa. Dia sim, dia não, lá se produzia ele, sózinho ou ladeado pela sua simpática mulher. A Verinha, como gostava que lhe chamassem. Até por nós, os então putos. Um belo dia, o sistema sonoro da casa, debita o meu nome e insta-me a produzir-me no gabinete do director. Bem mandado que sou (é mentira, mas fica bem), lá fui.
FN e JAA estavam já acompanhados por um rapaz, cujo nome é dado por irreproduzível nesta minha página, e que, já então, tudo fazia para andar, permanentemente, em bicos de pés. Questão de começar a mostrar-se à sociedade, apenas.
- Senta-te aí porque quero que conheças o Embaixador Franco Nogueira, pessoa com quem, certamente, poderás aprender uma coisa ou duas. Foi uma conversa dispersa sem nada de extraordinário a assinalar. Dias volvidos dou com ele, só, sentado na escada de acesso ao colégio. Acompanhei-o na assentadura. Contei-lhe do meu regresso ao, já então, portugal, do que tinha visto e vivenciado. E das diligências que ia desenvolvendo, para tentar perceber minimamente o "funcionamento" da direita política nascente. Os partidos políticos, já naquele então me aborreciam de morte. Entornou-me o olhar para cima, sorriu cândidamente, e dispara-me à queima-roupa: jovem, se aceita uma sugestão de uma ruim cabeça, afaste-se dessa gente toda. Nada têm para dar a eles próprios, quanto mais aos outros. E, de rajada, refere três ou quatro nomes que era mister ignorar. Um deles, um seu coevo. Talvez tenha sido esse momento definidor, o princípio do meu afastamento total da coisa política. Foi a partir daí que comecei a não levar nada a sério. Ainda para mais, quando o tempo que ia passando, lhe ia dando cada vez mais razão. Nesse particular, obrigado Embaixador.
Muitas outras coisas ficam por contar. De Adriano Moreira a Fraga Iribarne. Mas ficará para outra ocasião.
Atrás de tempo, tempo vem.

segunda-feira, 17 de setembro de 2018

Luanda, tantos do tal.

Nestes preparos, adequadíssimos ao encosto de barriga a balcão de couratos, desembarca um primeiro-ministro de uma espécie de país (em visita oficial) a terra já alheia.
Em moçoilo, não deveria ser fã do paladar do cházinho. 
Preferia mazagran ou groselha, até.
Ficamos assim esclarecidos, até nova oportunidade.

domingo, 16 de setembro de 2018

Come um calulu de peixe com funge, que isso passa.

Retome-se então e a bom ritmo, a permanente genuflexão que, na prática, nunca foi suspensa. Mesmo tendo em conta a recente birra presidencial. Ou especialmente por causa dela.
Costa será recebido apenas e quando a eles lhes der na real gana.
Por isso vai dedicar-se ao passeio durante o primeiro dia. Que inclui, por entre outras bagatelas menores, flananço na baía em vaso de guerra tuga, em boa hora expedido para o lugar. Um qualquer feriado local, adiantam, para tentar justificar a sempiterna descortesia. E que os sucessivos governos portugueses tanto apreciam.
Metam-lhe uma bóia (daquelas com cabeça de pato à frente), que o gajo não sabe nadar e a água tem tubarão.
Leio por aí que angola deve cerca de 500 milhões de dólares a "empresas" cá do sítio. E que os valores estão em discussão e que bla, bla, bla, (a conversa do costume).
Mas, tratando-se de África, a coisa tem de ser olhada "à maneira" africana. Esses valores (dos quais duvido e muito) eram do tempo do Zédu e do ajuntamento de galinhas poedeiras que constituíam a sua adjacência. Tudo isso acabou e foi substituído por um igual ajuntamento, cheio de caras novas, sedentas de poder e que ninguém conhece. No fundo eles fazem rigorosamente a mesma coisa que nós, ou os franceses, ou os inuit, até. A única diferença está no alarido com que o fazem. Estes nunca tentam disfarçar. Os negócios que vêm de um grupo anterior, nunca transitam para o novo cenário.
Apenas por uma questão de princípio geral.
Quem for apanhado de permeio, temos pena. É a menor das preocupações deles.
Para não serem totalmente mauzinhos, deverão propor algo de parecido com pagamento através de emissão de obrigações do tesouro, ou coisa que o valha. Verão.
Eu (e dou-vos esta sugestão de borla), se tivesse a pouca sorte de ter de estar naquela distintíssima fila, exigiria que, junto com as papeletas emitidas pela casa da moeda local, lhes fosse agregada uma prova insofismável de tomada firme por parte de um banco de primeira linha europeu, ou americano, e resgatável num prazo máximo de dez minutos. Isto, partindo de um, quiçá, ingénuo princípio, de que ainda existem bancos de primeira linha.
A não ser assim, tornar-se-ão os felizes proprietários de um atraente conjunto decorativo (há, por aí, títulos de tesouro de proveniências várias, com um belíssimo design) que comporá muito o visual dos vossos confortáveis gabinetes. Falavamos de quê?
Ah, da visita do indiano na diáspora a luanda.
Pois.

sábado, 15 de setembro de 2018

Lisboa, madrugada e tudo.

Hoje, na minha bonomia e boa disposição, partilho convosco 30% do que consigo ver, a partir do meu posto e na minha hora (há 15 anos) do mata-bicho (quero lá saber do que se vai passar no miradouro da senhora do monte). 
São 8h da manhã. 
Enquanto o café se transformava em vida, e a torrada chegava ao ponto, deixei escorregar o olhar pela cidade. Vejo, vagamente surpreendido, um arco-íris que cruzava o céu, saído do nada. Vê-se mal, mas está lá. Do alto à esquerda para o centro. Desculpem a falta de jeito. O equipamento é manhoso e eu mais ainda. Não choveu, não trovejou (que eu tivesse dado por isso), mas o facto é que estava lá. Deu-me para a mitologia e centrei a mioleira - ou o que dela, àquela matutina hora já funcionava (entretanto a torrada queimou) - na deusa Íris, tida como o arauto divino. 
Novas a caminho, cogitei com os meus botões. Embora não os tivesse. 
Ainda não abri qualquer jornal (entretanto já abri), pelo que não sei o que se passa. Nem sei se me interessa saber. Estou saturado dos mesmos nomes, balbuciando as mesmas banalidades administrativas, nos mesmos registos de voz. Nem isso alteram. Vai daí, lembrei-me de um tempo e um país que não devia nada a ninguém. Nem a si próprio.
Terei sonhado sobre uma longa conversa com alguém, através de uma linguagem incompreensível ao comum dos mortais?
Não sei. Sei apenas que alguma coisa terá ficado por dizer. 
Um dia destes vou voltar a sonhar.
E depois conto-vos.

quinta-feira, 13 de setembro de 2018

O arquitecto-supremo do universo (camarário).

Nunca vi este mamarracho "ao vivo", porque há muito não passo na Fontes Pereira de Melo. Ou, se passei, nem reparei nele. Fixei sim que o assunto mete aldrabadas contínuas e continuadas, envolvendo os suspeitos do costume: gabinete de urbanismo da câmara, os defuntados espírito santos e todos os que mais adiante se vier a saber. E, como não, o proprietário do terreno, a "arder". Ou a ter-se deixado arder, porque apenas a cupidez (por muito teso que se esteja), "transforma" um espaço daquela dimensão e naquela localização, nuns miseráveis e deprimentes 15 milhões de euros, que se estiolam numa semana. Só por isso, e pela parte que me toca, o lamento que eventualmente pudesse alimentar pelo proprietário, fica reduzido a um monte de cinzas. Mas fiquem tranquilos que outros, a seu tempo, se concretizarão. O caixote previsto para o Largo do Rato,  bastamente (e bem) contestado pelos moradores da zona e, apenas a título de exemplo, uma historieta que regressa à tona e da qual, há uma dúzia de anos não ouvia falar. Um volumoso "por edificar" previsto para sob o miradouro da Senhora do Monte, a 30 metros do lugar onde estaciona a minha velha carcaça. Fazendo fé em quem, então, viu uma espécie de pré-projecto, mais de 1/3 da vista que se tem a partir do referido miradouro, para o lado do Tejo, ficará obnubilada. Fiquei igualmente a saber que, naquele então e dada a reacção desencadeada aqui pela vizinhança, faltaram-lhes os tomates para darem continuidade ao projecto. Coisa que não aconteceu aquando das obras, chamadas de requalificação, na zona da Graça. Quiseram fazer um "bonito" com um funicular, entre a Madragoa e o miradouro da Igreja. O arquitecto responsável ter-se-á enganado nas contas e pôs a coisa a arrastar as camas de uma quantidade de criaturas, encosta acima. Resultado, tudo parado e um horroroso tapume em quadrado, plantado no meio do miradouro há bem mais de um ano. O lugar de onde seria regurgitado o turistame que quisesse ter uma experiência muito "typical". Tá tudo certo. 
Limito-me a constatar que os delírios socialistas (na circunstância liderados pelo arquitecto-supremo do universo [camarário]), ostentando belos e preclaros tiques ceaucesqueanos, continuam a bom ritmo.
Para criminosos de delito comum, nem a condição de votantes compulsivos lhes falta.
A eles e a quem os vota.

terça-feira, 11 de setembro de 2018

Amanheceres.

Hoje, no entre-estremunhos de um despertar meio estranho, sentia o que me resta de cabeça, recheada por duas ou três cenas da extraordinária série de dez episódios, concebida para televisão pelo cineasta polaco, Krzysztof Kieslowski. 
O Decálogo. 
Por cada uma das dez leis entregues a Moisés no Monte Sinai, um episódio, alguns deles a preto-e-branco (poderosíssimos), protagonistas sempre diferentes, a que se juntam duas constantes. Sempre o mesmo cenário (um qualquer bairro deprimente de Varsóvia, simbolizando o mundinho, ele próprio deprimente, em que todos nós "vivemos"), e um pedinte que apenas olha e a quem não se ouve um único som em todos os episódios. Nem se torna necessário. Tal a intensidade que põe no olhar.  
Senti-me esmagado pela força da metáfora, escabrosamente premonitória. Tudo lá está. As migrações, as transformações, o medo, o perigo, o racionalismo, a mudança de sexo, a cobardia, a coragem, enfim, tudo o que ele, já em 1989, pressentia que estava à porta. 
À primeira vista, nada que tenha que ver com esta tenebrosa época que nos tocou em sorte (marreca) viver...
Para o que me havia de dar. 

segunda-feira, 10 de setembro de 2018

Eppur si muove.

Pois é.
Agora é este moço sueco, de seu nome Jimmie Akesson (do meu teclado não consta a bolinha por sobre o A. Ele que me desculpe pois, a grafia), a acrescer às excruciantes agonias que atazanam os intestinos políticos da união europeia. Não ganhou, ganhando.
Quer dizer, a Suécia não vai a lado nenhum, sem ele na carroça. Tão simples quanto isso.
Será possível que os Juncker e arredores depois de assistirem, impávidos, ao que aconteceu na Áustria, em Itália, na Hungria, agora na Suécia, aos quais se juntarão em breve alguns países bálticos (no mínimo) e já para não falar no muito glosado brexit, vão continuar a achar que apenas eles são os inteligentes e o resto do mundo é habitado por selvagens que, apenas agora, estão a sair das cavernas? A nenhuma daquelas iluminadas tolas ocorre perguntar-se algo de tão prosaico como: será que somos nós o lado errado da equação?
Atento o total colapso das teses políticas nascidas dos escombros da II Guerra, talvez não fosse pior dedicarem-se a uma saudável auto-crítica.  Mas não ao estilo marxista, aquela que, nunca sendo usada, compunha muito o léxico da época, e da qual todos os que seguiram o conselho de Séneca, têm uma muito viva memória.
Porra, é tempo de acabar com as fantasias. Porque a não ser assim, serão elas próprias a estilhaçar as nossas existências.

domingo, 9 de setembro de 2018

O próprio, as santanetes, o XL e a Capital, todos à uma!

As santanetes, velhas da minha idade, têm de se contentar com o toucinho rançoso que vai sendo encontrado nas despensas. É a vida e para matar a fominha, qualquer coisa serve.
Até recolher assinaturas para constituição de partidos quase-políticos que, antes de o ser já o são (ranço). Ainda por cima, oriundo de reality shows, onde se brincava aos primeiros-ministros e se traziam de lá uns trocados. Lembram-se?  Uma qualquer merda televisiva, então apascentada pelo aldrabão "Aldraban", também conhecido por artur. Trocados esses que cobriam a posterior despesa no restaurante do Vasco Gallego e as subsequentes libações na buate dos manos Rocha, como aperitivo para cruzeiros de onde se desembarcava com pinta de corsário. 
Mas, como não quero ser mauzinho nem padeço de qualquer "capitis diminutio", deixo duas promessas solenes. 1) Se acaso se cruzarem comigo e me solicitarem preclara assinatura, obtê-la-ão, com sorriso maroto e tudo. Aliás, assino tudo o que divida a esquerda. Sendo que, para mim, como há muito perceberam, a esquerda começa no cds. Quantos mais, melhor. 2) Continuarei a não votar.
Não tenho jeito para desenhar. Nem mesmo um X.

sábado, 8 de setembro de 2018

O tempo que é dado ao tempo.

É por estas e por outras como estas, que se torna bastamente penoso olhar-se a justiça garantística sem um sorriso condescendente.
Um ano para deduzir acusação e responsabilizar aquela tenebrosa agência de empregos para os apaniguados regimentais, algo que o Ti Marcolino (pastor lá do sítio), tinha percebido no dia seguinte?
Mantenho a espera, de forma igualmente condescendente, ao por acontecer, no que aos responsáveis políticos directos concerne.
Ou o período eleitoral que se avizinha, é condição suspensiva do apuramento completo de todas as responsabilidades?

A troca de manuais.

Esta pérola, de fino recorte literário, saiu da boca de um qualquer sr tenente-coronel, sem (presume-se) esboçar qualquer sorriso, e depois de ter sido despachado directamente, para os inóspitos intestinos africanos.
A falta que faz a leitura e algum conhecimento (por pouco que seja) do que se vai passando neste mundo enlouquecido! Deram-lhe a ler, manifestamente, o manual errado.
O que lhes ensinarão na academia militar e no instituto de defesa nacional, quando o frequentam? 
Mistérios castrenses.

sexta-feira, 7 de setembro de 2018

A razão de Ramalho Ortigão.

Não sei quem é esta triste figura, nem tão-pouco me interessa. 
Fiquei a saber que é militar, que deve ser alguém que gosta de se ouvir a si próprio (ao ponto de lhe terem posto um microfone diante da cara) e que, irritantemente, se esquece de que não está a falar para taratas, nos internos da caserna. Que, deste lado da trincheira, há gente com uma réstea de inteligência e que sabe qual é o lugar do pessoal militar na estrutura de uma sociedade civilizada. Neste particular, este título diz mais do estado da arte merdosa ao qual chegou este triste pedaço de terreno, do que dele próprio. 
Para responder a este tipo de intendências existia (presumo continue a existir) uma coisa que se chamava regimento de disciplina militar. Verifiquei agora que o sr Cavaco promulgou, em tempos, alteração para, regulamento.
Finalmente, tenha-se presente que, a fazer fé na capa do jornal, a entrevista é feita ao tenente-coronel e não ao cidadão X. 
A avaliar pela capa, porque, como calcularão, não perco tempo a ler merdas eructadas por gente que, tendencialmente, pende para o pernóstico, constato dois visados que, agrade-lhe ou não, são seus superiores hierárquicos. Como militar conhecerá, seguramente, melhor do que eu, da importância do respeito pela hierarquia, dentro de uma instituição como a castrense. Talvez e a talhe de foice, não lhe fosse pior (re)ler Salazar, "...não censuremos na educação antiga a ausência de uma liberdade que não fazia falta às almas de homens criados para o respeito das hierarquias".
Se o ministro é boy e incompetente (e é, efectivamente, ambas as coisas), isso apenas aos cidadãos comuns, que o votam ou não, compete gargarejar. Nunca ao sr tenente-coronel, por alarvemente indizível que tivesse sido a malfeitoria  que lhe foi perpetrada.
Refere igualmente que é a maçonaria quem manda na tropa. Pois se assim é, é-me lícito deduzir que, enquanto militar, nada fez no sentido de evitar que tal situação se verificasse. 
Meu caro sr tenente-coronel. Tem todo o direito de manifestar a sua indignação e tirar o competente desforço, se assim o entende. Mas para isso existem os canais próprios.
O recurso hierárquico interno. 
O contribuinte não quer saber dessas agonias. A menos que esteja a querer fazer chegar um qualquer "recado embrulhado". No caso em que, deve ser completamente claro.
Estarei atento à reacção (ou falta dela) do seu comandante-chefe.
Pela primeira vez estará confrontado com algo que vai um pouco mais além dos banhos fluviais e da distribuição de afectos e beijinhos a granel.
Cá estarei para perceber se conseguiu libertar-se da pele do comentador.
Ou se faz questão em manter-se a nulidade política que tem exibido.
Não há como fugir. Ramalho Ortigão teve toda a razão.