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terça-feira, 20 de novembro de 2018

2600 anos depois.

Há décadas que o "Arte da Guerra" é o meu "livro" de cabeceira. E por uma quantidade de razões, das quais destaco duas. Por um lado, ajudou-me a evitar uma apreciável quantidade de "armadilhas" (as que consegui evitar!) que o sempre simpático ser humano, nos estende a cada passo do caminho. Por outro, foi com Sun-Tzu que aprendi o verdadeiro significado da palavra "deception", erradamente traduzida para português como engano (sendo mais correcto, por exemplo, logro ou até mesmo artimanha que, apesar de tudo, têm significados diversos). É, aliás, o grande pilar da seu "manual". "All warfare is based on deception" - Todos os assuntos relacionados com a guerra são baseados na artimanha. Se considerarmos que o mero facto de viver é uma "guerra", depressa concluímos que a coisa vai muito além do âmbito castrense. E, por isso mesmo, é de muita utilidade para o dia-a-dia de qualquer um de nós. Imagino já o franzir de sobrolhos que vai desse lado!...Este gajo quer o quê?  Vamos então a isso. Uma notícia de há dias, fez-me retornar ao texto em causa. E a outros, claro. A balsemânica figura lançou, por aí, um grupo de reflexão (chamemos-lhe assim) a que chamou Encontros de Cascais. Sendo quem é, e tendo integrado ajuntamentos pouco recomendáveis, durante décadas, será natural que, quem tem o mau hábito de ir mantendo um olho no burro e outro no cigano, levante as orelhas. Porquê ele e porquê agora? O que é que ainda sobra por cá, que valha a pena o esforço? Por outro lado, sabe-se que foi defenestrado e substituído por durão barroso. E não é necessário ser-se génio para se perceber porquê. Basta com pensar-se na agenda de contactos de um e do outro. E essa coisa não é conhecida por ser composta por "gajos porreiros" que aviam umas postas de pescada à volta de uma mesa. Não é para os "fainthearted", diriam os bifes. Se não, reparem. E darei apenas dois ou três exemplos (amplamente comprovados, pela simples razão de que não têm outra explicação) que ilustram bem o músculo que metem em todos os cometimentos. Anos 70: o chamado "choque petrolífero". Duas realidades coincidem no tempo. A ânsia americana de aumentar substancialmente as suas reservas petrolíferas e o desejo da Arábia Saudita de começar a sair das trevas medievais, especialmente em matéria militar, dado que, à época, tinham umas dúzias de espingardas e 2 aviões do tempo do Barão Vermelho. Olha que bonita conjunção astral! Planeada a coisa e após o visto bom de Nixon, é proposto uma acordo inegociável ao rei Faisal. Primeiro reduzes a produção até ao mínimo para que, para além de provocar uma subida dos preços, gere o pânico entre os terráqueos. Quem viveu essa época sabe bem do que falo. Depois, toma lá o armamento e dá cá o petróleo. Para princípio de conversa, 10 anos de reservas a custo zero (ainda hoje mantêm essa capacidade) seguida da entrada das empresas americanas no país. Um belo negócio, não acham? Anos 80: Aqui o assunto é mais elaborado. Objectivo, ir buscar as empresas públicas italianas. Todas elas de dimensão muitíssimo apreciável. Fazê-lo directamente e à vista de todos? Nem pensar. Vai daí, entra em cena o sr Soros e todos os seus muchachos, vendendo a descoberto comboios de liras para fazer baixar artificialmente o valor da moeda e estoirar com o Sistema Monetário Europeu que servia exactamente para manter a estabilidade das cotações. De caminho olhou também para Inglaterra e mandou uma valente nalgada na libra. Foi a morte daquele sistema. Dizem as más-línguas que terá embolsado 15000 milhões de dólares. Contrapartes italianas, o úbiquo Andreotti e, numa segunda fase, Craxi. Lembram-se da operação "Mãos Limpas", que  era suposto entalar toda a classe política italiana? Pois é. Esse foi o engodo que distraiu a populaça (via imprensa) durante anos, enquanto o verdadeiro objectivo ia sendo concretizado. Sun-Tzu em toda a sua glória. Uma escaramuça "aqui", distrair a soldadesca, e fazer acontecer o importante "ali". No entrementes todo o sector público industrial italiano passou para mãos privadas, o juíz que liderava aquele processo foi aviado à bomba (o juíz Falcone), Andreotti, porque jogava nos dois tabuleiros (era simultâneamente réu e integrante do menos conhecido "Conselho dos Doze" - que é quem efectivamente "dá as cartas"), e Craxi empurrado para a Tunísia onde morreu, vagamente teso. Resultado final, o governo italiano teve de "inventar" 100.000 milhões de dólares para reequilibrar a moeda e que ainda estão a ser pagos por...adivinhem por quem? Houve outros detalhes "curiosos" nesta operação. Um deles até envolve a rainha de Inglaterra que terá emprestado o Britannia, a bordo do qual foi gizado todo o assunto, a umas quantas milhas náuticas de Civitavecchia. Anos 90: o muito afamado salto da indústria agro-alimentar. O cartel do trigo de um lado (Continental Grain, Bunge, entre outras cujos nomes não recordo e que constituíam as Cinco Irmãs que, até há pouco nunca estiveram cotadas em bolsa porque não queriam estranhos a fazer perguntas atrevidas), e do outro, o dos pesticidas e dos ogm, Monsanto e quejandas. As sementes genéticamente modificadas, por si só, não têm nenhum inconveniente. Os problemas a nível de saúde são iguais aos provocados por toda a porcaria que hoje nos enfiam pela goela abaixo. São apenas preparadas para não poderem ser reutilizadas para a safra seguinte. Têm de comprá-las todos os anos, está bom de ver. Estoiraram com as plantações da América do Sul, do Médio Oriente, do Cáucaso e de África. Puseram meio mundo a passar fome, ficaram com as terras, porque os desgraçados não tinham condições de pagar as sementes, e encheram-nas com com os transgénicos. São milhares de milhões de hectares. Talvez assim fique clara a razão de tanta migração, actualmente. Claro que, pelo meio disto tudo, escorreu dinheiro aos borbotões, saído dos cofres do Banco Mundial, do Fed (nunca esqueçam que é uma entidade privada) e até do FMI. Ou pensavam que era o dinheiro deles a girar? Pensem outra vez. Paralelamente criaram uma espécie de Khmers verdes (Greenpeace) e outras miúdezas que surgiram à sombra desta. Mal parecia fazerem todas estas malfeitorias sem qualquer tipo de "contestação" (mais Sun-Tzu). Últimamente (já este ano), fecharam o círculo. A Bayer comprou a Monsanto. Industria farmacêutica+indústria de pesticidas. Será necessário fazer um boneco?
Volto ao início. O que quer a balsemânica figura desta sobra de país? 
Nunca ninguém disse que viver é fácil. E mais difícil se torna se nunca tiverem lido Sun-Tzu.
2600 anos depois, continua insuperável.

segunda-feira, 8 de outubro de 2018

Fraseado solto.

Será muito saudável que a incompreensível (pelo menos para mim) "esquerda" planetária que foi acampando pela paisagem nos últimos anos, com o bornal a abarrotar de "conceitos" tão distantes do pulsar do ser humano como a terra está do centro da galáxia, se vá adaptando à idéia de que o seu existir caminha inexoravelmente para o fim. Nenhum ser, por vagamente pensante que seja, consegue aguentar por muito mais tempo este trilho cavado por cripto-humanóides plastificados, a soldo, e que ninguém entende. Não é um progresso. É uma tentativa de imposição de uma forma distorcida de animalidade (uma espécie de anestesia estupidificante) que até a etologia de Lorenz e von Frisch teria dificuldade em explicar.
O Brasil foi apenas o último exemplo. Que, e por aqui me ficarei, já elegeu o presidente. Para enorme desespero de "esquerdistas", comentadores e analistas avulsos que saem de todos os buracos imagináveis, todos eles com a boa solução para o eterno problema da quadratura do círculo.
O que se passa por lá, fica por lá. É inútil dar-lhes mais importância do que aquela que, na realidade têm.
Interessa-me o quadro geral. E nele, o que vejo? Vejo todo um mundo a querer libertar-se das garras sufocantes de uma "esquerda" politicamente correcta, seja lá o que for que isso queira dizer. Farto de aplaudir banalidades existênciais promovidas até à náusea com o exclusivo intuito de esboroar uma vivência em comum, coisa já de si e sem outras colateralidades, nada fácil. Quase me faz ter saudades da velha esquerda musculada, mas franca no combate. Todo o mundo sabia ao que ia. Este fenómeno de rejeição óbvia começado nos Estados Unidos transportou-se, para já, para países tão insuspeitos como a Áustria, alguns nórdicos, o leste-europeu, a Itália e todos os que se seguirão, e não serão poucos. Por uma razão muito simples de apreender. O ser humano é ele próprio e a sua circunstância. Acontece que a circunstância está a cair em desgraça porque ninguém suporta circunstâncias criadas por terceiros, especialmente por aqueles a quem não foi pedida opinião. Os casos português e espanhol, são disso paradigmáticos. Acabaram a dar voz a quem, fôra a circunstância normal, estariam a procurar emprego, caso houvesse alguém disponível para o proporcionar. Quanto às "direitas", o melhor mesmo é nem sequer tentar percorrer essa estrada. O que aparece de "novo", carrega em si as caras de um passado recente que toda a gente quer esquecer, e já. Estão tão impregnados da sua própria empáfia que nem essa triste singeleza conseguem captar. O que há de velho, não passa disso mesmo. Já nada tem para trazer para cima do coreto. Entreteve-se apenas a envelhecer. Próprio de gerações a quem nada faltou. Eu incluído.
Onde estão os que vêm atrás de nós? Porque se o futuro que se apresenta a escrutínio é o que passa pelas jotinhas partidárias, estamos conversados.
Não haverá sequer futuro.

segunda-feira, 1 de outubro de 2018

Parabéns tão públicos quanto possível.

10h30 da manhã, instalo-me com um dos livros de turno (o último Salman Rushdie, a resvalar bocejantemente para o medíocre) na esplanada das minhas leituras. Ainda vazia do horroroso turistame que se diverte a achar as vistas "beyond belief", enquanto lança guinchinhos tão incompreensíveis quanto incomodativos, para o éter. Pedido o café, mergulho de novo na história de Nero Golden. Não tinham passado 10 minutos e uma voz feminina aproxima-se da minha orelha e sussurra-me: cá está o senhor com uma das suas milhares de amantes! A voz soou-me familiar, confesso. Terei levado alguns segundos a virar os olhos para a origem daquela blasfémia. Visão que me fez rasgar um sorriso como há muito não acontecia. Era a P., uma simpaticíssima brasileira que trabalhou naquele lugar e que deixei de ver de há uma boa dezena de anos a esta parte. Fazia-se acompanhar pelo marido, cidadão francês de boa cêpa e catedrático no Instituto de Estudos Políticos de Estrasburgo. Convidados a juntarem-se-me, abriu hostilidades com uma frase que me soou a quase-acusação: finalmente, quis o destino que conhecesse o homem de quem a P. tanto falava e fala, desde que a conheço! Lancei um olhar meio confuso, sem alvo definido. As sonoras gargalhadas que soltaram, cruzavam-se com o meu sorriso, a pender desconfortavelmente para o amarelo. Aí entra a P. que, num repente, me remove da minha miséria e me esclarece. De tal forma o fez que conseguiu comover-me. A história conta-se em duas palavras. Há uma boa dúzia de anos, deu-me para reler a biografia de Salazar pela pena de Franco Nogueira. Claro que algumas daquelas gloriosas manhãs de leitura foram passadas naquela esplanada. Já lhe tinha percebido a curiosidade. Um belo dia, passada a vergonha, arrisca a abordagem. Gostava de conhecer a vida e a obra desse homem de quem tanto ouvi falar no Brasil, e de quem continuo a ouvir falar...
Pressenti o que se iria seguir!
Para mim, emprestar livros é assim como alguém propor-se arrancar-me as unhas sem anestesia. Mas aquele sorriso desarmou-me. E resolvi arriscar, também. Ao longo de um período de 4 ou 5 meses, fui-lhe passando os seis volumes. Nunca falhou uma devolução. Quando me entrega o último tomo, tem um desabafo que nunca mais esqueci. Tomara o Brasil ter tido, ao longo da sua história, um homem como este. Eu não estaria aqui e o meu país não estaria onde está. Para mim, ficou feita a resenha de um período político em Portugal. Em busca de melhor vida, as curvas da estrada levaram-na a Estrasburgo. Dois anos depois tenta uma primeira vez entrar no Instituto referido acima, coisa que, reconhecidamente, não é fácil. Nem mesmo para nativos. Entrou à segunda tentativa. O terceiro ano do curso foi feito em Georgetown (onde aturou umas aulas ministradas por Durão Barroso) a expensas da própria universidade. Mais dois anos e obteve o Master em Sciences Po. Resultado: foi onde conheceu o marido (seu professor) e onde prepara uma tese de doutoramento sobre...adivinhem. Já estou a salivar pela leitura. Conta defendê-la em 2020. 
Percebem agora o meu comover-me? Um pequeno risco da minha parte que desencadeou um caminhar glorioso para alguém. 
Momentos que valem por uma vida. Há sempre uma luz no meio da escuridão geral.

sábado, 22 de setembro de 2018

E a cartucheira a ficar sem munições.

Ontem, cedinho (19h30) como convém às respectivas artroses, jantar de 5 velhos amigos, que rápidamente se transfigurou em assentadura geral de 5 amigos velhos. 
Tasca igualmente velha, tal como as panelas que, como sabem, é onde se fazem as boas sopas. Detalhe que nunca é de somenos. 
A circunstância de haver pouca gente também se tornaria particularmente agradável. Assim conseguiríamos entre-ouvir-nos, sem repetições, sempre embaraçosas, porque desmobilizadoras de conversas escorreitas. Acima de tudo queríamos fugir aos lugares "trendy", estranhos e salteadores de bolsos que por aí explodem, numa base diária, como cogumelos. E que, felizmente, nenhum de nós conhece. E não tem a menor intenção de vir a conhecer.
Duas combinações prévias, tomaram a cabeceira da mesa. 
Por um lado, desligar telefones (surpreendentemente, ou não, apenas eu ostentei, quase corado, smartphone - o que me valeu olhar reprovativo, se calhar com razão, dos restantes comensais) e, por outro, proibição absoluta de desperdiçar palavreado em assuntos políticos. O primeiro a fazê-lo, entraria no bizarro mundo do pagador oficial da totalidade do ágape. 
Estou lixado (cogitei, com os meus botões!). 
Estabelecidas as regras, declarámos abertas as hostilidades.
Em comum, os factos de nenhum de nós ter progenitura viva, sermos todos avôs, e mantermos há mais de trinta anos uma amizade (daquelas que já caíram em completo desuso), sólidamente à prova de bala. Em (in)comum, a circunstância de um deles continuar casado com a mesma mulher há bem mais de 150 anos (minha querida R. como é que tu ainda tens pachorra para aturar o bacamarte do teu consorte?) e de outro, ser viúvo. Os restantes, há muito entraram em derrapagem descontrolada, nessas matérias específicas.
Ninguém é perfeito.
Entrámos numa espécie de limbo que nos anestesiou. Tudo, mesmo tudo (excluída a política, está bom de ver, ficaria caríssima), esvoaçou em nosso derredor. Esse tudo, foi sendo temperado com sorrisos, risos, gargalhadas, lágrimas furtivas, até. O excelente cabritinho no forno e a meia-dúzia de Papa Figos, deram uma inestimável ajuda.
O toque de recolher soou às 11 da noite. A idadezinha não perdoa. Fizemos 500 metros a pé. Há, por ali, dois ou três daqueles restaurantes referidos acima. As filas acumulavam-se à porta, à quase-hora da ceia. 
Olhei aquelas caras que faziam transparecer tudo, menos o prazer de uma verdadeira e reconfortante amizade. Concluí em voz alta (talvez uma oitava acima do devido) algo que, pela segunda vez durante a noite me valeu olhares furibundos, desta vez com origem nos "fileiros".
- Fuck them. Estão aqui apenas para fazer trade-off de existências nulas.
Os meus, aquiesceram, em silêncio mais que cúmplice.
Solidário, mesmo.

terça-feira, 18 de setembro de 2018

O Pio XII, algures, numa dobra do tempo.

Franco Nogueira fará 100 anos nos próximos dias. Escrevo fará (e não faria), apenas porque sim. E porque não me apetece que homens como este, se finem. Tenho lido por aí disparates em torrente que não encaixam, de todo, no homem que conheci, de uma forma "quase provocadora" (porque deliberada) e com quem conversei longamente, quantas vezes a sós ou, em alternativa, muitíssimo bem acompanhado. Não é verdade, José Luís Seixas? 
Durante todo o tempo de estudos universitários, alojei o esqueleto num colégio universitário, ali, à 28 de Maio. Pouco ou nada tinha de "lar estudantil", e muito de delicioso "antro" conspirativo. Dirigia-o ainda, o seu fundador, Joaquim António de Aguiar (o conspirador-mor), dito de padre. Embora, de padre, tivesse tanto como eu. FN era um dos habituais frequentadores da casa. Dia sim, dia não, lá se produzia ele, sózinho ou ladeado pela sua simpática mulher. A Verinha, como gostava que lhe chamassem. Até por nós, os então putos. Um belo dia, o sistema sonoro da casa, debita o meu nome e insta-me a produzir-me no gabinete do director. Bem mandado que sou (é mentira, mas fica bem), lá fui.
FN e JAA estavam já acompanhados por um rapaz, cujo nome é dado por irreproduzível nesta minha página, e que, já então, tudo fazia para andar, permanentemente, em bicos de pés. Questão de começar a mostrar-se à sociedade, apenas.
- Senta-te aí porque quero que conheças o Embaixador Franco Nogueira, pessoa com quem, certamente, poderás aprender uma coisa ou duas. Foi uma conversa dispersa sem nada de extraordinário a assinalar. Dias volvidos dou com ele, só, sentado na escada de acesso ao colégio. Acompanhei-o na assentadura. Contei-lhe do meu regresso ao, já então, portugal, do que tinha visto e vivenciado. E das diligências que ia desenvolvendo, para tentar perceber minimamente o "funcionamento" da direita política nascente. Os partidos políticos, já naquele então me aborreciam de morte. Entornou-me o olhar para cima, sorriu cândidamente, e dispara-me à queima-roupa: jovem, se aceita uma sugestão de uma ruim cabeça, afaste-se dessa gente toda. Nada têm para dar a eles próprios, quanto mais aos outros. E, de rajada, refere três ou quatro nomes que era mister ignorar. Um deles, um seu coevo. Talvez tenha sido esse momento definidor, o princípio do meu afastamento total da coisa política. Foi a partir daí que comecei a não levar nada a sério. Ainda para mais, quando o tempo que ia passando, lhe ia dando cada vez mais razão. Nesse particular, obrigado Embaixador.
Muitas outras coisas ficam por contar. De Adriano Moreira a Fraga Iribarne. Mas ficará para outra ocasião.
Atrás de tempo, tempo vem.

sábado, 15 de setembro de 2018

Lisboa, madrugada e tudo.

Hoje, na minha bonomia e boa disposição, partilho convosco 30% do que consigo ver, a partir do meu posto e na minha hora (há 15 anos) do mata-bicho (quero lá saber do que se vai passar no miradouro da senhora do monte). 
São 8h da manhã. 
Enquanto o café se transformava em vida, e a torrada chegava ao ponto, deixei escorregar o olhar pela cidade. Vejo, vagamente surpreendido, um arco-íris que cruzava o céu, saído do nada. Vê-se mal, mas está lá. Do alto à esquerda para o centro. Desculpem a falta de jeito. O equipamento é manhoso e eu mais ainda. Não choveu, não trovejou (que eu tivesse dado por isso), mas o facto é que estava lá. Deu-me para a mitologia e centrei a mioleira - ou o que dela, àquela matutina hora já funcionava (entretanto a torrada queimou) - na deusa Íris, tida como o arauto divino. 
Novas a caminho, cogitei com os meus botões. Embora não os tivesse. 
Ainda não abri qualquer jornal (entretanto já abri), pelo que não sei o que se passa. Nem sei se me interessa saber. Estou saturado dos mesmos nomes, balbuciando as mesmas banalidades administrativas, nos mesmos registos de voz. Nem isso alteram. Vai daí, lembrei-me de um tempo e um país que não devia nada a ninguém. Nem a si próprio.
Terei sonhado sobre uma longa conversa com alguém, através de uma linguagem incompreensível ao comum dos mortais?
Não sei. Sei apenas que alguma coisa terá ficado por dizer. 
Um dia destes vou voltar a sonhar.
E depois conto-vos.

terça-feira, 11 de setembro de 2018

Amanheceres.

Hoje, no entre-estremunhos de um despertar meio estranho, sentia o que me resta de cabeça, recheada por duas ou três cenas da extraordinária série de dez episódios, concebida para televisão pelo cineasta polaco, Krzysztof Kieslowski. 
O Decálogo. 
Por cada uma das dez leis entregues a Moisés no Monte Sinai, um episódio, alguns deles a preto-e-branco (poderosíssimos), protagonistas sempre diferentes, a que se juntam duas constantes. Sempre o mesmo cenário (um qualquer bairro deprimente de Varsóvia, simbolizando o mundinho, ele próprio deprimente, em que todos nós "vivemos"), e um pedinte que apenas olha e a quem não se ouve um único som em todos os episódios. Nem se torna necessário. Tal a intensidade que põe no olhar.  
Senti-me esmagado pela força da metáfora, escabrosamente premonitória. Tudo lá está. As migrações, as transformações, o medo, o perigo, o racionalismo, a mudança de sexo, a cobardia, a coragem, enfim, tudo o que ele, já em 1989, pressentia que estava à porta. 
À primeira vista, nada que tenha que ver com esta tenebrosa época que nos tocou em sorte (marreca) viver...
Para o que me havia de dar. 

quinta-feira, 6 de setembro de 2018

À atenção do indiano na diáspora.

Toda esta nojeira só me faz sentir saudades desta Senhora. 
Que, uma vez empurrada para resolução de assunto semelhante, não necessitou de recorrer às suas credenciais de mulher.
Limitou-se a ser ela própria. Sem pedir licença a ninguém.
Assim salvou um negócio. 
Dado que o desporto, enquanto tal, há muito capitulou.

terça-feira, 4 de setembro de 2018

Os desconvites.

Ser desconvidado está a caminho de ser considerado um verdadeiro "must".
Dentro em breve, quem nunca tenha sido desconvidado, jamais poderá sonhar, sequer, vir a integrar os respectivos "who's who" locais. 
O último desconvite famoso recaiu sobre a Marine Le Pen, lembra-se? Tenho visto outros, por aí, especialmente na imprensa estrangeira. Uns mais importantes que outros. Mas todos são desconvites. E isso é o que conta. 
Uma verdadeira honra.
Verão toda a imprensa, a política, a cor-de-rosa, e a nem uma coisa nem outra,  de todos os lugares do mundo, destacar, não quem esteve mas quem brilhou pela ausência.
Ainda não foi desconvidado?
Então seja. De outro modo não existe.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

O joaquimita.

Recente passagem por livraria, daquelas que ainda cheiram a papel, obrigou-me a deixar escorregar o olhar por sobre a focinheira de Agostinho da Silva. Homem que sempre em mim, teve o condão de exercer um estranho fascínio. Não tanto pelo que deixou escrito - genéricamente chato - quanto pela vadiagem que sempre norteou a sua existência. E mesmo nesta, apenas a mental. Porque na geográfica, peço meças. Ser vadio de si próprio deveria ser o objectivo sólido e último de qualquer plantígrado que se preze. E nisso foi mestre.
Topo pois com uma biografia do dito cujo, grafada por António Cândido Franco de quem, e juro à fé de quem sou, nunca tinha tido notícia. Defeito meu, por certo.
Mercadejada a prosa, recolho a penates. Diz-me a badana que o escriba foi bolçado neste mundo, corria o mesmo ano que também me viu a mim. Ensino à antiga, portanto. A coisa promete...
Mais me diz que o título foi "pé-de-cabreado" de uma estrofe do Canto V dos Lusíadas.
Feliz. Porque se lhe aplica que nem uma luva.
À terceira página tocam os alarmes. Estás a regressar a Aquilino. Sabes o que isso significa? 
Sei. 
Então, levanta o rabo e põe o "Aurélio" à ilharga. Porque vais precisar dele e muito. Outra circunstância digna de nota é o facto de fazer tábua rasa do neo-português, ora adoptado por decreto. Retomo o meu lugar e a leitura. 700 páginas de uma virada - comprida - não esqueçam o diccionário que, há muito, não era tão frenéticamente folheado.
Palúrdio, bolónio, entre outros apodos que Franco utiliza para se referir ao seu biografado parecem insultos, não é? Mas não são. São carinhos a saltar do teclado. Só se pode ser carinhoso com o homem que, um dia, menos pernóstico do que o habitual, responde assim a uma qualquer questão sobre António Nobre: "...um pobre diabo que depositou a melancolia num banco, a prazo, e viveu dos juros...". Só se pode ser meigo para com quem, em momento azado, fez saber que "não estava na disposição de enterrar o presente, para ressuscitar o passado.". Só se pode ser afectuoso para com quem, algures no tempo, referindo-se a Montaigne verteu como segue: "Um autor vive, não pelo número de estátuas que a sua capacidade de intriga assegura junto dos vindouros, mas da força equilibrante que a sua palavra desencadeia em quem o lê".
Por tudo isso - e muito mais - foi um eterno proscrito. E lembro-me da última proscrição, esta perpetrada pelo filósofo cor-de-rosa Carrilho quando, com empáfia ignorante, afirmou, sem se rir, que o tal de palúrdio, não tinha obra que se visse.
Pois.
Respondo-lhe com palavras dele. Do "sem obra". "Leia Séneca e roa chouriça...".
E já agora, ponham os nóveis jornalistas que enxameiam redacções a ler este livro. Aprenderiam mais nele do que uma vida inteira a tentar perceber o que se passa à volta deles.  

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

O Albano e o liceu.

"Folheava" o DN e surge-me o Albano.
Creio ter sido a única vez que o "vi", desde a última vez que o vi. 
Mais de 40 anos passaram entre estes dois momentos.
Visto daqui, foi como se tivesse sido ontem.
Nada como chegar aos 59 anos. Desconstrói. 
Obriga a repor tudo o que fomos e somos, em perspectiva.
Um dia destes, a gente vê-se.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Salada grega. Com muito pepino e iogurte.

Eu sei, eu sei que os prazos constitucionais para formação de governo na Grécia, nem dão tempo a vestir as calças.
Em qualquer caso, será bastante avisado que Tsipras não se esqueça do cinto.
É que os ventos cruzados que fustigam o coreto para onde acaba de subir, não são conhecidos por perdoar esquecimentos dessa natureza.
Parabéns à família.
Eu, continuarei a preferir os bouzoukis de Theodorakis.
Tão mais reconfortantes.
 
 
 

domingo, 25 de janeiro de 2015

Entretanto, por cá...

Leio e já não pasmo.
Lembro-me, então:
"Yes, I am drunk, but tomorrow I will be sober, and you will still be a fool"
É exactamente essa, a distância que os separa.
Nem mais, nem menos.

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

O original. O de Sheffield.

O ano corria  triste. O inenarrável Wilson deixava apodrecer um país, por entre libações, cachimbadelas e declarações políticas que pendiam invariavelmente para a idiotia.
Valia-nos o Ronnie Scott's. Onde tudo se lavava. Até a alma.
Um desses dias, foi a tua voz  que saudou a nossa entrada. 
Junto com os teus Mad Dogs. 
Ecoava por aquelas paredes o inesquecível "Cry me a river".
Ainda não te tinhas transformado no xaroposo que fez suspirar todas as virgens (e não virgens) do planeta.
Que foi feito do Sheffield's barker?
Se calhar, envelhecemos todos. You finaly got your ticket to ride!

sábado, 29 de novembro de 2014

terça-feira, 18 de novembro de 2014

MAI nada!

Conheço a Anabela de andanças outras, que não aquelas que a levaram a ser a eleita para substituir Macedo.
Gosto-lhe a inteligência, a assertividade, a forma desempoeirada com que "arruma" os assuntos em discussão à volta de uma mesa e, muito acima de tudo, do demolidor sentido de indepêndencia que a move.
Um sentido de indepêndencia que atropela.
Daí a minha surpresa.
Se essa surpresa é boa ou má, o futuro se encarregará de o esclarecer.
Não me parece que seja mulher para fazer o "caminho das pedras", em matéria de obediências políticas. Seja a quem fôr.
Nem mesmo a quem a foi buscar. Ou especialmente a quem a foi buscar.
Estarei muito atento.
Para já, tudo de bom, Sra Ministra.
E para ti, Anabela, um grande beijinho.

domingo, 16 de novembro de 2014

Apesar dos pesares.

Uma simples frase que estraga - definitivamente - um gesto pouco habitual no portugal que eles inventaram. Assim, num repente, só me lembro do cripto-empreiteiro Coelho.
Retirar, enquanto responsável máximo, as devidas ilações políticas.
Claro que todos sabemos que lhe interessa pouco o que os votantes pensam. Limitou-se a sair em defesa do seu próprio futuro político.
Mas, ainda assim, é de louvar.
E é, justamente isso, que remete Paula Cruz e Crato a um ensurdecedor silêncio.
O não terem um futuro político.
Terão de regressar às suas tristes profissões. Coisa que eles querem evitar, a qualquer custo, por mais um ano.
Se eu me chamasse Pedro Mamede, amanhã mesmo, teriam um cartão de dispensa, agradecendo os serviços prestados. A Bem da Nação.
E eu mesmo, assumiria as respectivas pastas, até eleições. Já que as há.
Afinal, trata-se apenas, de um despacho por semana.
E poupem-me ao choradinho da segurança nacional.
O que é que temos, passível de ser objecto de segurança?
O Marques Mendes?

terça-feira, 23 de setembro de 2014

80, alive and kicking.

I have to die a little
Between each murderous thought
And when I’m finished thinking
I have to die a lot



sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Braveheart 1 - Brits 0.

Por muitas voltas que os abencerragens de Westminster queiram dar à semântica do palavreado político, os scots, já ganharam. Period.
Será de bom tom, que esta luminária, o Clegg e tutti quanti, não se façam de esquecidos, relativamente às promessas que foram choramingar a Glasgow, durante a semana passada.
Tudo em boa paz, portanto. Sua Majestade, poderá continuar a passear os seus canídeos por Balmoral sem ter de se preocupar com os custos inerentes, o whisky continuará a escorrer das Highlands em direcção aos joints londrinos e a Escócia, apenas no papel, não se tornou independente.
O Alberto João deve estar a roer as unhas até ao sabugo!
Segue-se o rapaz Rajoy. É bom que comece a envergar as cuecas de lata.
A não ser assim, vai sair-lhe pela boca.

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Barómetros, outbreaks e break outs.

Tenho várias paranóias na vida. Uma delas é o Aurélio. De há décadas a esta parte. 
O melhor diccionário da língua portuguesa, a deixar qualquer outro a perder de vista. O consultável em linha, é uma boa merda, por sinal. Mas sou um homem feliz. Tenho uma já provecta edição, em papel, de lei.
Um brasileiro, imagine-se.
O Aurélio (Buarque de Holanda),sim, tio do outro, define assim, barómetro: 

s.m. Aparelho que serve para medir a pressão atmosférica e, em conseqüência, a altura a que alguém se eleva, assim como para prever aproximadamente as mudanças atmosféricas.

E porque é que, assim, num repente, me lembrei do Aurélio?
Porque, enquanto almoçava, se me produz o sr. Costa - especialista em barómetros, futebol e sindicalismos [embora isso já pertença a outra qualquer encarnação] - com renovado olhar sobre a realidade política que assola este triste país.
Parece que o partido socialista - seja lá isso o que fôr - está cinco pontos à frente do vizinho da Lapa.
Uma espécie de punheta mal batida. Só ainda não percebi, se acaso ganharem as eleições, se fico a ser comandado por Goa ou Penamacor.
Mas isso também não interessa nada.
O problema está na diferença entre outbreaks e break outs.
Parece que há por aí um outbreak de Ébola que já levou a OMS(quem?)a declarar o estado de emergência mundial. Coisa que não é para menos!
Apenas outra merda que não interessa nada. É uma espécie de barómetro do sr. Costa à escala universal. 
Trata-se, tão só, do lançamento de um novo negócio.
Se até o Expresso serve de veículo promocional, porque é que a OMS não o há-de ser também?
Mas, se atentarmos em break outs, a conversa é outra.
Aí lembro-me da velha expressão britânica, break out the rifles!
Convenhamos que há, por aí, muitas armas em riste, não acham?
Garanto-vos que não há nada melhor do que estar a assitir em directo ao desenrolar da III guerra mundial.
Enquanto eles celebram o centenário da I.
Nada como ter sempre à cabeceira da cama o velhinho "Arte da Guerra".
Parabéns, General Sun-Tzu.