Meio dia.
Soslaiava aqui ao lado, no Largo da Graça, os títulos da imprensa que, genéricamente, retratam os eventos da véspera.
Sou falho de tempo e de paciência para emissões televisivas. Pelo que, só no "day after", sei o que se passa!
Sorria comigo próprio...
O berro do meu telefone, faz com que uma velhota salte dentro das botas.
- Credo, homem! Atenda essa coisa. Para susto, já me basta este homem feio e constipado(?). Referia-se ao senhor que está ministro das finanças.
Rasguei ainda mais o sorriso e resgatei o horrível aparelho às insondáveis profundezas do bolso.
- Tu viste a puta da vergonha que me fizeram passar ontem, aventa-me um ministro em funções.
- ???, não! Estou apenas a olhar uma velha, cheia de vontade de vos espremer os colhões! E, como muito bem sabes, nada me envergonha, pela simples razão de que me mantenho Português.
Sou um estrangeiro, aqui!
Contrariamente ao que se passa contigo que optaste pela nacionalidade portuguesa.
E esse país, para mim, não existe.
- Porra, não ouviste o primo do Louçã?
- Deveria ter ouvido? E levou comigo durante meia hora.
Paguei eu, também, mas não interessa.
Quase vinte anos no "trade" e nunca ouvi falar de Gaspar.
Por alguma razão terá sido!
É a vida, no portugal deles.
