Parece que o adjectivo que encima este postal, entrou na moda.
Pois seja.
Hoje, um cliente, deixou-me, junto com o pagamento da conta, o Correio da Manhã.
Não minto se disser que, há 35 anos - pelo menos! - não olhava para tal pasquim.
Enquanto esperava que a restante freguesia se aviasse, lancei um olhar desinteressado, pousado em cima do balcão. O olhar e o jornal.
Pavlovianamente, cheguei-me à pág.2! O Vítor Direito não estava lá. No lugar dele, pontificava uma foto - importantíssima! - de dois Airbus A380, em formação, sob os céus de Sydney.
Coisas...
Fui folheando e cheguei a pensar em resgatar um alguidar à cozinha, tamanha era a quantidade de sangue que escorria do papel!
Continuei a folhear...
Nos classificados, 4 páginas de "convívio".
Continuei a deixar que o olhar escorregasse.
Leio que, "Amor - Sra portuguesa, sózinha, s/pressa. Discreto. Fugas, só manhãs. Tel. 96...". Insisto. Sou informado de que, "Av. de Roma, casada, peludona, marido fora. Adoro beijar na boca. 69 c/prazer. Particular. Tel. 96...".
Continuo a leitura. Um título ao acaso. "Proprietária de cão, teve de ser internada na psiquiatria". Chega-se-me a contracapa. As surpresas não davam tréguas. Anúncio em "bold", gritava-me, "Monotomia no relacionamento?"
Aí parei.
Porra. Deixei mesmo de saber falar português.
Rai's parta no acordo!
Dei por findo o cometimento, lendo uma crónica de um, presumo, jornalista, que discorria sobre...narrativas.
Vítor, acode-me!...
