sábado, 2 de abril de 2011

Os miseráveis...

Desde as 10 da manhã de ontem que ando a tentar escrever algo que me ajude a cuspir toda a vergonha que carrego em mim.

Logo que acordei, lembrei-me de Victor Hugo.

Quem é mais miserável? Eles (os políticos), ou nós! Nós, eu incluído, mas também mera força de expressão, dado que votei uma única vez na vida. Em 1975...e bastou! Fiquei vacinado. Ousa-se dizer que, quem não vota, não está "autorizado" a emitir qualquer tipo de opinião. Uma porra! Isso só pode sair da boca - mero cliché político! - de quem esconde uma espécie de vergonha que, sem dúvida, foi sendo metódicamente alimentada pelo exercício do sacrossanto voto. Ocorre-me uma velha história datada dos anos cinquenta (e atribuída a Marcelo Mathias), quando um então jovem diplomata mergulhava na mais lancinante das dúvidas e se perguntava porque razão um povo que descendia de uma gesta de descobridores, se revelava a merda que era! Que não, retorquia a velha rapoza: o nosso drama é descendermos dos que ficaram! E não eram, seguramente, tempos de BBB-! A História está aí e é o que é! Não há volta a dar-lhe. Está aí para quem queira olhá-la, com olhos de ver. Só conseguimos funcionar com a canga no pescoço. Este país é um pesadelo, este povo é um pesadelo, estes "políticos" são um pesadelo, saído de um esgoto mal cheiroso! Tal qual os esgotos de Paris, "percorridos" por Victor Hugo...

Tenho a idade que tenho. E de caminho, não tenho memória de ver tanta merda acumulada nos areópagos políticos que, em teoria (ou, na prática!), gerem esta pocilga. Nem mesmo, considerando Soares e Eanes! O tal que exala um miserável e purulento cheiro a TNT! E que, há dias, no lançamento do livro do João Gonçalves, teve o despudor de me estender a mão! A qual ficou no ar, como lhe competia. Já o primeiro, noutras eras e numa qualquer cerimónia oficial à qual não pude escapar, tinha sido alvo da mesma cortesia. Tenho uma repelência natural e muito particular, por certos tipos de pele.

Jamais pensei, em vida, assistir à classificação do meu (ainda) país, como puro junk! Até o Botswana carrega, impante, um lustroso A.

Continuem a votar, pois! Nos mesmos merdas que se apresentam a sufrágio. Merecem-nos! E merecem-se.

Quem precisar de mim, apite! Mas nunca, para apoiar alarves analfabetos que um qualquer twist da vida, alcandorou ao poder. Nunca no actual quadro partidário.

Canga para cima do pescoço e aí, contem comigo!