sábado, 9 de abril de 2011

Ponto de Arraiolos.

Hoje, "abri o jornal" e, para minha máxima surpresa, surge Aníbal António. Já nem me lembrava que semelhante emplastro ainda tinha existência formal. E o que diz ele? Rigorosamente nada, porque a constituição não o deixa dizer coisas! Caso contrário, fá-lo-ia. E em algarvio...

A fazer fé na prosa do escriba de serviço, arejou os pulmões a partir da Hungria. Lugar escolhido por um ajuntamento de caríssimas inutilidades iguais a ele - malditas constituições! - para se sentarem à volta de uma mesa e se entregarem, de corpo e alma, a uma bisca lambida. E para que servem todos estes adornos, à volta da tal mesa e, por certo, com um arraiolos por sob os presidênciais calcantes? A isso, perdoem-me mas só o choramingão Sampaio poderá responder! Nunca percebi. Defeito meu, por certo!

Mas a minudência constitucional é, tão só, a prosaica (e dispendiosa) razão que o impede de falar. A mais importante, guarda-a ele, ciosamente, dentro do saco dos segredos inconfessáveis. Porque ele sabe - ó se sabe! - que um dos grandes responsáveis (senão mesmo O responsável) pelo pagode que, ora se instalou é, elezinho mesmo, sem tirar nem pôr! Os que se lhe seguiram, limitaram-se a decalcar o modelo. Não têm a menor importância. Nenhum deles.

Apreciava-lhe o tom autoritário, confesso! O problema é que não sabia como utilizá-lo. Decidiu pôr a mioleira a funcionar em modo macro-economista em lugar de accionar o botão que diz, "dona de casa"! Enquanto um grupo de generosos ofertantes foi despejando pázadas de dinheiro fácil para o quintal de S. Bento, ele não encontrou nada melhor para fazer do que emprenhar o estado (estranha noção de queca!) com uma imensa miríade de girinos e desenhar, pelo país, um tapete de auto-estradas em ponto de Arraiolos. Só não lançou uma delas entre o meu quarto e a minha casa de banho porque eu não deixei! Cada vez que alguém tinha a triste idéia de lhe referir que havia por aí uma coisa à qual deveria ser dada atenção - a economia real, a micro, a que gera emprego, a que impulsiona o crescimento e a riqueza, a que justifica a existência de auto-estradas para que o que se produz seja rápidamente escoado - respondia uma de três coisas: deixem-me trabalhar ou...não leio jornais ou...nunca me engano e raramente tenho dúvidas!

O Marquês do Bronze, não teria feito melhor. Ganhava dez e gastava onze!

"Eppure", diria um italiano, reemerge anos depois, como presidente de um país sem economia mas ricamente bordado de auto-estradas, como um belo tapete de Arraiolos. Espécies de "road to nowhere".

Como há-de ele dizer coisas!