Primeiro deixem-me olhar à esquerda e à direita, não vá dar-se o caso de ser atropelado por algum despojo sobrante das festividades de ontem! Para susto, já bastou o ter passado inopinadamente, por um canal televisivo que arremessava, com uma cena de bucolismo urbano, em directo da Madre de Deus!
Único aspecto relevante, depois de 3 minutos de "paralisia" da extremidade superior: continua a exprimir-se em "alcainês" perfeito e a não ser capaz de se livrar do espírito de caserna que o atormenta desde tenra idade. Adiante.
Encimei o escrevinhanço com um senhor cuja existência ignorava, até ontem. Resultado de uma ronda telefónica por alguns antigos "compagnons de route", estacionados em diversos cantos do planeta.
O supracitado, Bernd Schunemann, é professor da Faculdade de Direito da Universidade Ludwig-Maximilian em Munique. Não esteve de modas e acabou de "ferrar" com mais uma martelada no já adornado porta-aviões - leia-se euro.
Processou o Bundesbank pela sua pornográfica participação no famigerado "Target2". Coisa inventada em Bruxelas com vista a desentalar as nalgas das economias periféricas. Que, além de não ir desentalar coisa nenhuma vai entalar - aí sim! - o contribuinte alemão.
O homem deve ter olhado o seu recibo de salário, pensou por alguns minutos, ficou certamente com os cabelos louros em alvoroço e arremeteu contra a estante, em busca dos códigos que regulamentam o direito.
As coisas nunca são o que parecem e Target não significa forçosamente, alvo! No caso vertente - e encostem-se porque leva tempo - quer dizer, Trans-European Automated Real-time Gross Settlement Express Transfer System...ufff, já acabou!
Ou seja, essa brincadeira foi lançada com um fundo de 800 mil milhões de euros - destinados à Grécia, Portugal, Espanha e Itália - e a exposição do Bundesbank, cifra-se na bagatela de 615 mil milhões.
Quem vai pagar se o banco central alemão se tornar insolvente? Pergunta ele.
Segundo aquele sistema, sempre que um grego ou um português fazem um euro-pagamento a um alemão, o circuito é sempre o mesmo. Inventado há séculos! O banco nativo faz o pagamento ao banco central local, este, por sua vez dispara para o Bundesbank que remete para o banco do credor, ficando tudo na paz dos anjos com a balança de pagamentos equilibrada. Mas, sendo esse equilíbrio um sonho - como de facto é - os bancos centrais nativos não conseguem pagar ao banco central alemão, pelo que o Banco de Portugal ou o da Grécia ficam a dever cada vez mais dinheiro ao seu congénere alemão. Se juntarem a isso todo o capital que é exportado por cada português ou grego (os que podem...) para bancos alemães, é de meridiana evidência que o BB fica de fora, aumentando ainda mais a sua exposição.
Sempre quero ver o que se oferecerá aos Meretíssimos dizer! Boa, Bernd.
