Domingo, dia em que qualquer mortal a quem sobra um módico de textura cerebral, fica na cama. Não é o meu caso. Já reentrei na idade do armário, pelo que me mantenho em estado vigil.
Enquanto entretinha o estômago, distraía, simultâneamente, as meninges, olhando (sem ver) as notícias. Até que, sem mais aquelas, me surge o inevitável bonzo regimental, obrigatório em qualquer telejornal. Desta feita sob a forma de Portas, lui-même. Conversava ao telefone, enquanto palitava os dentes, desde Istambul, com um qualquer jornalista semi-analfabeto, em serviço na estação que lhe suporta as idas à praça. Tinha sido convidado a tomar assento numa daquelas coisas estranhíssimas, em que o mundo ocidental se especializou. Apurado o ouvido e preparada a competente gargalhada do dia, apercebo-me de que a coisa acode ao nome de Grupo de Amigos da Síria. Inquirido ao respeito, que não...que o tempo das palavras tinha acabado mas que a intenção não era ir aos fagotes aos compadres sírios. Não sei qual foi a alternativa proposta (nem interessa) porque, entretanto, fui fazer algo de muito mais importante. Repor o nível de tinto no copo, porque estava a ficar perigosamente short.
E, a propósito de jornalistas!
Lembrei-me de, há dias, ouvir por aí, um dilacerante ranger de dobradiças, com origem nos despojos da esquerda folclórica sobrante.
Entravam - tudo o indicava! - em pleno estado comatoso-democrático, à conta de umas palmadas enfardadas por uma rapaziada que cobria o desenrolar de uma qualquer manifestação.
Aqui-del-rei que a ominosa repressão política está de volta! Reúna-se uma comissão parlamentar, execre-se o ministro, salvem os jornalistas da fúria policial!
Os jornalistas devem estar identificados (como é óbvio), adiantava alguém em pleno delírio. Que não, retorquia o representante sindical, assim ficam muito mais expostos! Ninguém perguntou ao filho da puta, desde quando o jornalismo é uma actividade clandestina. Que eu tivesse dado por isso!
Olhem para a foto que encima esta coisa. Barcelona, quase no mesmo dia, lá estão eles, devidamente identificados. Prontos para levar porrada. Se, para tal, o acaso os convocar. Qual é o problema? Sabem ao que vão. Não me lixem.
