terça-feira, 21 de agosto de 2012

Hijo de la gran puta!

Ignorava em absoluto que Garzón se tinha constituído advogado de Assange. Dado tratar-se de um assunto ao qual devoto importância nula, nem reparei.
O interminável Baltazar Garzón!
Que a esquerda bem pensante ou não, indiferentemente, tanto gosta de embalar no regaço.
Em contrapartida, para mim, há muito se tornou um verdadeiro encanitanço!
Como foi atirado para o fundo de uma gaveta em matéria de exercício da judicatura, o rapaz tinha, absolutamente, de fazer prova de vida!
E que melhor palco do que aquele para onde escorregou?
Partiu em cruzada, contra todas as direitas avulsas que atravessaram o séc XX, nas pessoas dos seus líderes.
Com a mesma alegria com que, em tempos, indeferiu - enquanto Juíz da Audiência Nacional - um pedido contra Santiago Carrillo, o PSOE e o Estado Espanhol, por parte da Associação de Familiares e Amigos das Vítimas do Genocídio de Paracuellos de Jarama.
As tristemente famosas sacas. Transferência de prisioneiros políticos de umas prisões para outras, durante a Guerra Civil. De vários milhares, 2500 acabaram sumáriamente fuzilados e atirados para uma vala comum.
Onde hoje existe um imenso memorial, no topo de uma das pistas do aeroporto de Madrid.
Haverá uns bons 20 anos, o final de um modorrento voo entre Barcelona e Madrid, tranformou-se numa "animação"! Tendo ficado a voar em círculos, aguardando a respectiva ordem de aterragem, o Comandante dirigiu-se aos passageiros nestes termos:
"Senhores passageiros, o meu nome é...tal! Se quiserem ter a bondade de olhar para a vossa direita, poderão ver o Memorial ao holocausto de Paracuellos. Naquela vala comum, entre 2500 pessoas, jaz igualmente o meu pai. Tenho a honra de transportar hoje, comigo, a criatura que assinou de cruz, o seu fuzilamento. Muito bom dia a todos".
Dois segundos de silêncio cortante.
Não conseguia ver o homem, pois estava duas filas à minha frente. Mas posso imaginar aquela tromba!
Não via...mas ouvia.
E o mínimo que ouvi, foi hijo de la gran puta, gritado a plenos pulmões.
Deixo à vossa imaginação, tudo o resto.
Falava-se de quem?
Pois, de Garzón.