domingo, 25 de março de 2012

Quando tudo valia a pena!

Há pouco, bati com a cabeça algures e estacionei, a ouvir uma qualquer merda com origem no Pacheco Pereira. Chutava para canto, em matéria de PI. No meu teclado, não existe tal símbolo!
Espantava-se com a kilométrica extensão do número que define aquela dimensão e com a capacidade de uma qualquer miúda americana de conseguir memorizar 2.000 daqueles digítos que são apenas um assomo da eternidade. Coisa que a ele não lhe vai tocar. Nem a mim.
De súbito, recuei mais de trinta anos. Lembrei-me de Lima de Freitas, de Artur Bual e do meu pai. E do Ponto de Bauhüte.
Uma livraria/galeria, ali às avenidas novas, albergava, com uma frequência inusitada,  aqueles crâneos. E eu, com o meu ainda em formação - e se não me tivesse "posto a pau", acabava deformado -  assistia, como a parteira!
Lima de Freitas, esforçava-se denodadamente por demonstrar que Almada tinha ficado "curto" na análise daquela realidade. Porque, e ostentando um ar sério, vociferava do alto do seu metro e meio:"o triângulo do Almada não é equilátero, pelo que não corresponde à perfeição do 3".
Artur Bual, com aquela sua eterna cara de alentejano desterrado, olhou-o de soslaio e, adivinhando-se-lhe o sorriso maroto por sob o farto bigode, lança-lhe à queima roupa!
Ó Zé, vamos mas é às putas! Deixa lá a maçonaria!...
Ainda hoje, ouço o meu pai a rir!