Lisboa, hoje, 7h45 da madrugada, matabichava como habitualmente, deixando escorregar o olhar, distraídamente, por sobre uma cidade entristecida. Entre duas dentadas numa torrada, esse mesmo olhar é convocado para um céu limpo de onde surgia algo de inesperado. Por deslocado. Um arco-irís. Vê-se mal mas está lá. Do alto à esquerda, para o centro.
Nem o fotógrafo nem o respectivo equipamento são grande coisa. Mas isso é de somenos.
Deu-me para a mitologia e centrei a mioleira - ou o que dela já funcionava - na deusa Irís, tida como o arauto divino.
Novas a caminho, cogitei com os meus botões! Embora não os tivesse.
Ainda não "abri" qualquer jornal. Pelo que não sei o que se passa. Nem sei se me interessa saber. Estou saturado dos mesmos nomes, balbuciando as mesmas banalidades nos mesmos registos de voz. Nem isso alteram.
Se calhar são os credores que proíbem. Deve constar do memorando, assinado de cruz.
Lembrei-me de um tempo e de um país que não devia nada a ninguém.
E sonhei, parece, tendo tido uma longa conversa com alguém, através de uma linguagem incompreensível ao comum dos mortais, comunicam-me!
Provavelmente as duas situações estarão relacionadas.
Alguma coisa terá ficado por dizer.
Um dia destes vou voltar a sonhar.