Dos Santos pôs a tugaria política em alerta vermelho, mais uma vez. Desta feita, via Manuel Vicente. Até ele deve ter noção de que, usar permanentemente a filha, já cansa.
Vicente é o único gajo em Luanda que sabe, realmente, da poda! Se calhar até mais do que o próprio Santos. Coisa nada recomendável para a saúde. Dezenas de anos à frente da Sonangol, escorrem-lhe do currículo. Dirigir a Sonangol, é ser o verdadeiro ministro das finanças. Ainda hoje. E a tentação é grande, de tomar decisões à revelia de quem manda. Coisa que, por latitudes africanas (ou, se calhar por isso mesmo), em nada descansa os queridos líderes. Os gabinetes ficam muito distantes.
Santos chama-o para perto - como ministro de estado e da coordenação económica - para melhor o controlar. Em África, tradicionalmente, estes postos que funcionam sob a dependência directa das presidências e nas próprias instalações presidenciais (não vá o diabo tecê-las!), servem apenas para meter os titulares em cima de carris para melhor os fazer deslizar em direcção ao...nada! Veja-se o que aconteceu ao antecessor, Aguinaldo Jaime que acabou numa espécie de ICEP local. Coisa que, por aqueles lados, vale zero. Conheci o Aguinaldo em 89/90, era naquele então, ministro das finanças. Dono de uma inteligência invulgar - algo que está proíbido por lei, em todo o continente - quis, em dado momento, reformular o sistema económico-financeiro do país, através de um plano abrangente que, básicamente, resgatava o ministério ao centripetismo da Sonangol.
Durante um jantar muitíssimo restrito, havido na Embaixada do Brasil, ali ao bairro de Miramar (um abraço, Ivan) na véspera da apresentação do documento ao presidente, falou-nos nessa intenção. Coisa que, para todos os presentes, não passava disso mesmo e tal foi-lhe referido. Certo é que no outro bolso, trazia também a carta de demissão. Nem lhe deram tempo a utilizá-la. 48 horas depois, tinha sido remetido à procedência. E proposto para uma distância segura. Para a Vice Presidência do Banco Africano de Desenvolvimento, à época, a funcionar em Abidjan.
Por muito que digam que Vicente sucederá a dos Santos, este já lhe indicou o caminho em direcção ao nada. Alguma terá feito.
Solenemente.
Corneteia que o investimento em Portugal deixou de lhes ser prioritário. Para mim são excelentes notícias. Tenho, contudo, todas as dúvidas do mundo.
Vão investir onde?
