Podia dar-me para pior.
Falho de idéias, já me tinha conformado a nada escrevinhar, por hoje.
Nem por isso Deus dorme.
11h da manhã e acabado de me instalar - cabelos ao vento - na esplanada do miradouro da Graça e na companhia do livrinho de turno, vejo chegar dois cidadãos, funcionários de uma empresa de desratizações e desbaratizações. Só não fazem despolitizações. Parece.
Observei atentamente as suas idas e vindas, dispondo criteriosamente os diferentes engodos, para os diferentes fins. Um dos gizmos que colocaram chamou-me, definitivamente, a atenção. Uma placa brilhante com duas pastilhas castanhas no centro.
Estava armado o caldinho. Tinha de saber que raio era aquilo.
Parecia que adivinhava!
Inquirido um dos jovens, dispara-me à queima roupa:
- Duas pastilhas de feromonas por sobre uma superfície colante. O rato é atraído e fica lá agarrado. Se eventualmente conseguir escapar não irá longe porque deixa sempre algo para tràs! Uma perna, uma mão ou mesmo a quase totalidade da pelagem.
Entornei os olhos, ao mesmo tempo que coçava o cucuruto da tola.
- Mas afinal, qual é a diferença entre nós e os ratos?
- Somos vilmente atraídos por "sacos de feromonas". Quase invariavelmente ficamos agarrados ou, em alternativa, se nos conseguimos safar, deixamos sempre algo para tràs e, normalmente, não vamos longe.
- Pois é. A grande diferença é que o meu patrão (alemão), levou esse princípio à letra e rentabilizou-o. Nós, contabilizamo-lo do lado do prejuízo!
- Amigo. Já ganharam, você e o seu patrão!
Foi uma das poucas vezes na vida, em que fiquei sem resposta. Admito-o.
Foi uma das poucas vezes na vida, em que fiquei sem resposta. Admito-o.
Vou ter de rever toda a minha filosofia de vida.
