quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Gore Vidal, Eurico de Melo e "O Diabo".

Morreu Gore Vidal.
E morreu sem perceber exactamente o que queria da vida. Esse foi o seu grande drama existencial. Daí o azedume que sempre carregou nas algibeiras.
Poderia ter sido um enorme escritor. E um enorme ensaísta.
Optou pela rasteirice.
Para isso, basta comparar "Palimpsest" com "On the road", de Jack Kerouac. Rapazes da mesma geração.
Da geração do meu pai. A "beat generation".
Uma notável plêiade de vadios.
Tomara eu.
Desperdiçou um talento imenso. Preferiu consumir a vida a acariciar o ego. E a esperar que os outros lhe fizessem o mesmo. Coisa que lhe rendeu, não poucas vezes, umas belas lambadas na tromba. E em público.
A comunidade daqueles que se convenceram que o mundo gira em torno deles, está de luto. Devem ser os únicos.

Morreu Eurico de Melo.
Este senhor, pelo contrário, sabia exactamente o que queria da vida.
Não queria misturas com gente nada recomendável.
O que já não é coisa pouca.

Devo ter comprado o último exemplar de "O Diabo", há mais de 25 anos.
Esta manhã, recidivei.
Deixando de lado os conteúdos, desinteressantes como em toda a restante imprensa (BPN, psicodramas governamentais e colateralidades avulsas), registei três pontos:
1- A falta que faz Vera Lagoa. Como tenho saudades de ver os políticos em sentido, quando lhes surge pela frente alguém que lhes conhece os podres; 
2 - Ainda "cheira" a jornal e, alvíssaras, suja as mãos!;
3 - E escreve-se em português. De lei.