quinta-feira, 15 de novembro de 2012

A planta.

O Sr Aprígio Martelo, com quem sorvi um cafézinho esta manhã,  dono de uns robustos 83 anos, acomoda-se em casa própria, ali, à Rua do Capelão.
Casa do sec. XVIII, parece!
Que teve a desdita de herdar, por parte da defunta.
Defunta essa que tem a enorme vantagem de defuntar em total paz.
Sem ter de se preocupar com o arco da governação (o quê?). 
Há dias, para seu espanto, recebe uma correspondência com origem num qualquer secretário de estado, vagamente ocioso.
Faça favor de produzir planta do respectivo tugúrio. Precisamos de ajustar o IMI.
Virou a carta e, nas costas da dita, escreveu como segue:
"Assim que conseguir desenterrar o Marquês de Pombal (conhece?), prometo abanar-lhe o remanescente do crâneo. Pode ser que caia de lá a tal de planta. Se calhar, vem já em forma de papiro. Mas paciência, aguente-se!"
Grande Sr Aprígio! Até o café me soube a acto insurgente...
Só não puxei fogo a um latão, porque o isqueiro já não tinha gás.