sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Ainda as estratégias.

Vai ser um gozo vê-los discorrer, com um ar sobranceiro, sobre EBITDA's (designação fina usada pelas empresas para se referirem aos lucros antes de impostos, amortizações e blá-blás colaterais e que, no final das contas, deixam uns trocos para comprar caramelos!), mercadorias underbond ou just in time sequencial.
Importantíssimo.
Estratégicamente falando, já se vê!
Chama Portas a esta coisa, diplomacia económica.
Isto, porque ele confia na capacidade argumentativa da rapaziada diplomática, depois de ter engolido um diccionário económico.
E que todos os putativos investidores se vão dedicar à prática da genuflexão, diante de tão masgistrais lições.
Temos de sair da diplomacia do croquete, gargareja ele!
Esquecendo-se certamente que esse "tipo" de diplomacia, nasce com o 25/4, data a partir da qual, os diplomatas foram transformados numa espécie de adornos do regime. Inutilidades caras e bem vestidas.
Geralmente não pensantes. Mas não por culpa deles.
Basta conhecer a história de Armindo Monteiro em Londres, durante a guerra, para se perceber a verdadeira utilidade da diplomacia. Mesmo que, no final, se seja "convidado" a bater com a porta, como lhe aconteceu a ele.
Acontecia que, em Lisboa, estava alguém que os obrigava a pensar. Coisa que, hoje, está longe de acontecer.
Seria bem melhor que os sentassem numa daquelas velhas salas de escola primária, carteiras em pau, a olhar um mapa-mundi e aprenderem a responder a perguntas bem mais importantes.
- Porque é que a Rússia tem a postura que tem, relativamente à Síria?
- Porque é que os USA, desviaram o seu eixo de interesses para o lado do Pacífico?
- Porque é que a América do Sul "goza" a Europa de todas as formas e feitios?   
- Porque é que o Egipto se apresta, de novo, a ficar a ferro e fogo?
- Porque é que a Birmânia começou a "abrir"?
E Portugal, o que será que tem a dizer sobre tudo isto?
Ou não tem nada para dizer, e deixa que os outros digam por ele?
Deixem lá as empresas sobrantes na paz do senhor e aprendam a ler os mapas.
As respostas estão todas lá.
Depois de se criar uma política a sério, claro está!