É a segunda vez que utilizo esta foto aqui dentro.
Olho-a e sinto-me incapaz de sacudir a culpa.
Por isso, não a olhava há mais de três anos. Porque sou fraco. Ao contrário da criança sudanesa que, em 1993, foi fotografada por Kevin Carter.
O fotógrafo que não suportou saber que ela tinha morrido, horas depois de ter batido a chapa. E juntou-se-lhe. Não foi fraco.
Estarão ambos a olhar, espantados, o que resta desta espécie erecta que povoa o planeta.
Vem isto a propósito das crianças portuguesas, cujos pais aguardam ansiosamente a reabertura das escolas para que, pelo menos, possam ter uma refeição quente por dia.
Em portugal. No ano da graça de 2012.
Nem sequer retrocesso civilizacional é.
É desistir do futuro.
Tão só.
