sexta-feira, 4 de maio de 2012

Tashi deleg*... meu querido Zé!

Hoje resolvi lançar os braços para dentro de um caixote que, há muito, jazia adormecido, numa curva da casa. Coisas próprias do entre-vagabundagens que norteia a minha passagem por este mundo. E em belíssima hora o fiz. Fui re-descobrir, bem escondido nos fundos, essa preciosidade que julguei perdida numa qualquer prega empoeirada do tempo.
Um pequeno conto com 30 páginas, escrito, não por um monge tibetano como à primeira vista pode parecer - Thubten Tsering - mas por alguém a quem a vida tem concedido a graça de ser ainda mais vadio do que eu.
É um dos meus escassíssimos grandes Amigos. Daqueles que sabemos que está sempre "lá", mesmo quando esse "lá" se assemelha, vagamente, ao cú do mundo!
Um conto fantástico (ele não gosta mas não digam nada a ninguém!) que o faz percorrer o caminho, a partir dele mesmo para terminar em si próprio. A mais difícil e excruciante viagem que estamos obrigados a fazer, sob pena de nos perdermos definitivamente de nós próprios. Ele fê-la, com 40 anos. Eu...ainda não perdi a esperança!
Sentimo-nos em voo planado, à medida que vamos absorvendo, gulosamente, aqueles cruzamentos humanos que vão dando consistência à teia do tempo. Tintin à conversa com Alexandre da Macedónia, Marco Polo em animadas charlas com D. Sebastião, o padre António D'Andrade, em afadigada busca do Preste João, nas faldas do Monte Kailash. Baralhei tudo mas não importa. É uma delícia.
Saiu da pena do Zé Freitas Cruz. Como poderia ter saído do pincel. Sou feliz detentor de um dos poucos exemplares que, em 1996, ofereceu a alguns amigos. Àqueles que ele entendeu merecerem estar ao corrente da sua "inner journey"!
O lado público do Zé, está à vista de todos. Se já espreitaram o link. Viagem longa, velha de quase trinta anos. E que continua. A partir do próximo dia 8. Lá, nas lonjuras nipónicas, onde assentou arraiais nos últimos anos.
Não estarei lá. Mas ele sabe que estarei. Abração, velho!

* Saudação tibetana equivalente ao nosso olá.